O ex-presidente Jair Bolsonaro foi transferido nesta quinta-feira (15) para uma nova cela no Núcleo de Custódia da Polícia Militar do Distrito Federal, mais conhecido como “Papudinha”. A mudança ocorreu no final da tarde, após uma decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).
Bolsonaro deixou a Superintendência da Polícia Federal, onde estava preso, e agora ocupa um espaço bem mais amplo. A nova cela, com 54 metros quadrados, é equipada com quarto, banheiro, lavanderia, cozinha e sala. Além disso, conta com uma área externa de 10,07 metros quadrados, totalizando um ambiente que comporta até quatro pessoas, mas será usado exclusivamente pelo ex-presidente.
A transferência acontece em meio a reclamações da defesa e da família de Bolsonaro sobre as condições da sala onde ele estava na Polícia Federal. A família chegou a alegar que o ex-presidente estaria sendo “torturado” no local.
Rebatendo as críticas, o ministro Alexandre de Moraes deixou claro que a detenção não é uma “colônia de férias”. Em sua decisão, Moraes destacou que as condições dadas a Bolsonaro são "absolutamente excepcionais e privilegiadas".
Publicidade“Ressalte-se, entretanto, que essas condições absolutamente excepcionais e privilegiadas não transformam o cumprimento definitivo da pena de Jair Messias Bolsonaro, condenado pela liderança da organização criminosa na execução dos gravíssimos crimes praticados contra o Estado Democrático de Direito e suas instituições, em uma estadia hoteleira, ou em uma colônia de férias, como erroneamente várias das manifestações anteriormente descritas parecem exigir”, escreveu Moraes.
O ministro fez questão de frisar que esses privilégios não são estendidos aos outros 384.586 presos que cumprem pena em regime fechado no Brasil. Entre as facilidades concedidas ao ex-presidente, estão:
- Televisão colorida;
- Banheiro privativo;
- Frigobar;
- Banho de sol diário e exclusivo.
Jair Bolsonaro foi condenado a 27 anos e 3 meses de prisão, em regime fechado, pela Primeira Turma do STF, por ter comandado uma tentativa de golpe de Estado. Ele havia sido enviado para a Polícia Federal em 22 de novembro do ano passado, depois de tentar romper a tornozeleira eletrônica que usava desde agosto.
Na “Papudinha”, Bolsonaro se junta a outros nomes conhecidos, como Anderson Torres, ex-ministro da Justiça do seu governo, e Silvinei Vasques, ex-diretor-geral da Polícia Rodoviária Federal. Ambos dividem uma unidade semelhante à que o ex-presidente agora ocupa.
Alexandre de Moraes também estabeleceu regras específicas para as visitas: a esposa e os filhos de Bolsonaro poderão vê-lo apenas às quartas e quintas-feiras, em um horário limitado das 8h às 16h.







