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BBC expõe rede que filma mulheres em saídas noturnas sem consentimento

BBC expõe rede criminosa que filma mulheres sem consentimento em saídas noturnas para sexualização e monetização, espalhando vídeos em diversas plataformas. Vítimas relatam medo.

Redação ChicoSabeTudoRedação · Polícia
15 de fevereiro, 2026 · 18:35 3 min de leitura
(Reprodução: peter bucks/unsplash)
(Reprodução: peter bucks/unsplash)

Um esquema internacional chocante veio à tona com uma investigação do jornal britânico BBC. Uma grande rede de homens espalhava vídeos de mulheres saindo de casas noturnas, filmadas sem a menor permissão. O objetivo era simples e cruel: sexualizar os corpos das vítimas, transformando-as em objeto, e ganhar dinheiro com a audiência massiva que esses conteúdos geravam.

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Essa teia de assédio digital não se limitava ao YouTube. Embora a plataforma abrigasse um acervo gigantesco desses vídeos, outras redes sociais como Facebook, TikTok e Instagram também eram usadas para espalhar as imagens. As vítimas, geralmente mulheres vestindo saias e vestidos, eram filmadas por trás e com ângulos baixos. Em alguns casos, as câmeras chegavam a invadir a intimidade por baixo das roupas.

Vítimas relatam medo e humilhação após serem filmadas sem saber

A equipe de reportagem da BBC conseguiu localizar quase 50 mulheres que foram filmadas sem consentimento e tiveram suas imagens jogadas na internet. A dor dessas mulheres é palpável: elas expressam medo profundo e uma grande humilhação ao descobrir que seus corpos foram expostos e monetizados.

Uma vítima, de 21 anos, que preferiu não se identificar, contou ao jornal britânico o pesadelo de encontrar um vídeo dela na internet, filmada de um ângulo baixo sob sua saia. O impacto foi tão grande que, hoje, ela se sente paranoica toda vez que sai de casa. “É como se estivesse sempre sendo observada”, desabafou.

A investigação revelou a dimensão assustadora dessa rede. A BBC identificou mais de 65 canais dedicados à distribuição desse tipo de conteúdo. Nos últimos três anos, a soma de visualizações dessas mídias ultrapassa a marca de 3 bilhões. É um número que mostra a escala do problema e a impunidade com que esses criminosos agem.

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As filmagens, sempre sem autorização, aconteciam principalmente na saída de clubes noturnos em grandes cidades ao redor do mundo. Locais como Londres, na Inglaterra, Oslo, na Noruega, Miami, nos Estados Unidos, e Bangkok, na Tailândia, eram alvos frequentes. No entanto, o ponto mais popular para essas filmagens era a cidade de Manchester, também na Inglaterra.

Como os criminosos agiam e a resposta das plataformas

Para desmascarar a rede, a equipe da BBC foi a campo. Eles localizaram os homens responsáveis pelas filmagens e os gravaram no exato momento em que moviam suas câmeras, focando para cima e para baixo nos corpos das mulheres. Entre os identificados, havia um taxista local e dois turistas suecos. Outros flagrantes mostraram homens da Noruega e do principado de Mônaco, cujas identidades não foram reveladas.

Em uma reportagem relacionada, a BBC já havia mostrado como influenciadores homens utilizavam óculos inteligentes com câmeras embutidas para filmar mulheres nas ruas sem permissão. A dinâmica era se aproximar de moças aleatórias, "demonstrar" como abordá-las e iniciar uma conversa. Uma vez postados, esses vídeos alcançavam milhões de seguidores, que assediavam digitalmente as mulheres com comentários inapropriados e de cunho sexual.

Diante da gravidade da situação, Shabana Mahmood, a Ministra do Interior do Reino Unido, expressou seu descontentamento com o uso de novas tecnologias para espalhar ainda mais violência e assédio contra as mulheres.

Após o contato oficial da BBC, o YouTube agiu, desativando dois canais. O TikTok também se movimentou e eliminou outros quatro perfis. Contudo, muitos vídeos ainda continuam acessíveis em outras contas do YouTube, e o conteúdo permanece disponível no Facebook e Instagram. Isso mostra que a batalha contra essa rede de assédio online está longe de terminar.

Se você se deparar com qualquer canal ou perfil no YouTube, TikTok, Facebook ou Instagram que esteja publicando conteúdo não consensual e sexualizando pessoas, não hesite: denuncie imediatamente! Sua ação pode proteger outras vítimas e ajudar a combater essa prática abominável.

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