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Bahia é o 3º em feminicídios no Brasil com 103 casos em 2025

A Bahia registrou 103 feminicídios em 2025, tornando-se o 3º estado com mais casos no Brasil. Especialistas alertam para subnotificação e brutalidade.

Redação ChicoSabeTudoRedação · Polícia
21 de janeiro, 2026 · 03:10 3 min de leitura
Foto: Claudia Cardozo / Bahia Notícias
Foto: Claudia Cardozo / Bahia Notícias

A Bahia registrou um número alarmante de feminicídios em 2025, alcançando a marca de 103 casos e colocando o estado como o terceiro com mais ocorrências no ranking nacional. Os dados, divulgados pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública, mostram uma leve queda de 6% em comparação ao ano anterior, mas ainda assim refletem uma realidade de violência extrema contra as mulheres em todo o Brasil, que contabilizou 1.470 casos.

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Especialistas alertam que os números podem ser ainda maiores devido à subnotificação. Darlene Andrade, psicóloga e professora do departamento de estudos de Gênero e Feminismo da Universidade Federal da Bahia (Ufba), explica que nem todos os casos são classificados corretamente. “A forma como os casos são notificados acaba sendo reflexo de uma cultura que ainda não reconhece completamente esse tipo de violência contra as mulheres”, ela pondera.

O feminicídio é um crime hediondo, definido pelo Código Penal como o assassinato de uma mulher por razões da condição de sexo feminino. Trata-se de um qualificador do homicídio, o que significa que as penas podem ser severas, chegando a até 40 anos de prisão. Para Darlene Andrade, é crucial reforçar essa classificação.

“Reforçar que é um tipo de assassinato específico é muito importante para a gente poder visibilizar que as mulheres têm sido mortas por serem mulheres. Muitos feminicídios acontecem depois que a mulher termina um relacionamento. Elas são mortas por ex-companheiros, de uma forma brutal”, destacou a professora.

A brutalidade é, inclusive, uma característica marcante em muitos desses crimes na Bahia. Essa violência não é um comportamento isolado, mas sim um reflexo de uma cultura patriarcal arraigada, que valida a dominação masculina nas relações. Segundo a psicóloga, “Essa brutalidade expressa uma mensagem cultural que está dizendo ‘seu lugar não é aqui, você tem que fazer o que eu mando, ser subordinada a mim’. São crimes que têm esse teor de ódio expresso”.

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Casos recentes em 2025 ilustram a dimensão dessa violência:

  • Laina Santana: A contadora de 37 anos foi brutalmente morta a marretadas dentro de seu apartamento, em Lauro de Freitas, na Bahia. O autor do crime foi seu marido, Ramon Guedes, de 38 anos, e tudo aconteceu na frente das duas filhas do casal.
  • Fabiana Correia Cardoso: Em Salvador, na Bahia, a mulher de 43 anos foi assassinada por seu ex-companheiro, João Pedro Souza Silva, após mais de um mês desaparecida. Até o momento, o corpo de Fabiana não foi encontrado.
  • Aluana dos Santos: Em Jequié, na Bahia, Aluana foi esfaqueada e morta pelo companheiro, Cleber de Jesus Santos, porque ele não aceitava o fim da relação. A vítima já possuía uma medida protetiva contra o agressor.

A especialista ainda destaca que a prática desses crimes não está ligada a doenças ou questões de temperamento. Ela afirma que “não existe um perfil exato de agressor, não é patológico, mas sim, todos os homens têm esse potencial porque são criados nessa cultura, que valida os comportamentos violentos”.

Apesar do cenário preocupante, a professora Darlene Andrade reconhece o avanço da Lei do Feminicídio e o crescimento dos debates sobre o tema. Para ela, essa discussão é essencial para a criação de políticas públicas eficazes e para a tão necessária mudança na realidade de violência contra as mulheres.

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