A Bahia se depara com um cenário preocupante na luta contra a violência de gênero. O estado registrou 97 feminicídios entre janeiro e 8 de dezembro de 2025. Os dados foram divulgados pela Secretaria de Segurança Pública (SSP-BA) e mostram que quase uma centena de mulheres e pessoas trans foram vítimas de crimes motivados pela sua condição de gênero.
O feminicídio é mais do que um homicídio; é o assassinato de uma mulher justamente por ela ser mulher, muitas vezes envolvendo violência doméstica, menosprezo ou discriminação de gênero. Esses crimes, que causam profunda dor e impactam famílias inteiras, se espalharam por diversas regiões da Bahia ao longo do ano.
Cidades com Mais Casos
Entre as cidades baianas, algumas se destacam tristemente no número de registros. A capital, Salvador, na Bahia, lidera com dez casos de feminicídio. Logo em seguida, aparece Feira de Santana, na Bahia, com cinco ocorrências, e Camaçari, na Bahia, que registrou quatro.
Esses números acendem um alerta para as autoridades e a sociedade sobre a urgência de fortalecer as políticas de proteção e combate à violência contra a mulher. A persistência desses crimes mostra que ainda há um longo caminho a percorrer para garantir a segurança e a vida das mulheres em todo o estado.
Tragédia Recente Em Luís Eduardo Magalhães
Um dos casos mais recentes e que ganhou repercussão nacional aconteceu em 6 de dezembro, em Luís Eduardo Magalhães, na Bahia. A jovem trans Rhianna Alves, de 18 anos, foi morta por Sérgio Henrique Lima dos Santos, de 19 anos, com um golpe conhecido como “mata-leão”.
A situação gerou grande comoção e revolta porque, inicialmente, o suspeito levou o corpo da vítima até a delegacia e chegou a ser liberado. Ele alegou legítima defesa. No entanto, após uma investigação aprofundada e a repercussão do caso, Sérgio Henrique foi preso e acusado formalmente quatro dias depois do ocorrido, enfrentando as consequências de seus atos.
Quem São as Vítimas na Bahia?
A análise dos dados da SSP-BA traça um perfil das vítimas de feminicídio no estado, que ajuda a entender melhor a dimensão do problema:
- Faixa Etária: A maioria das vítimas (16,5%) tinha entre 30 e 34 anos. As faixas de 35 a 39 anos e de 40 a 44 anos vêm logo depois, ambas com 15,5% dos casos.
- Cor ou Raça: A grande parte das vítimas se identifica como parda, representando 61,86% do total. Mulheres pretas correspondem a 14,46%, enquanto brancas são 4,12%. Indígenas representam 1,03%, e em 18,56% dos registros não há informações sobre cor ou raça.
Esses números são um triste lembrete da persistência da violência contra as mulheres na Bahia e da necessidade de ações contínuas para prevenir, investigar e punir esses crimes, oferecendo apoio às vítimas e suas famílias.







