A segurança dos lares na capital baiana e região metropolitana está cada vez mais fragilizada, aponta um levantamento recente. Um relatório do Instituto Fogo Cruzado revelou um dado alarmante: em novembro, 16% das pessoas que foram baleadas em Salvador e Região Metropolitana (RMS), na Bahia, estavam dentro de suas próprias casas na hora do ataque. Isso significa que, para muitas famílias, o lugar que deveria ser o mais seguro se tornou cenário de violência armada.
Quase um Quinto das Vítimas Atingidas no Próprio Lar
De acordo com o Instituto Fogo Cruzado, que monitora a violência armada, o mês de novembro registrou um total de 96 pessoas baleadas na região. Embora este tenha sido, segundo o próprio relatório, o menor número de vítimas da violência armada em 2025, a proporção de ataques dentro de casa subiu drasticamente. Das 96 vítimas, 15 foram atingidas em suas residências, representando 16% do total.
Essa porcentagem é a maior registrada no ano e quase o dobro do que foi visto em novembro de 2024, quando oito pessoas foram baleadas dentro de casa. Isso indica uma escalada preocupante da violência que invade o espaço mais íntimo e pessoal das pessoas.
Consequências Devastadoras
As consequências dessa violência são trágicas. O levantamento detalhou que, entre as 15 vítimas atingidas em casa, 12 acabaram morrendo e três ficaram gravemente feridas. Esses números frios representam histórias de vida interrompidas e famílias destruídas pelo terror que chegou à porta de casa.
Publicidade“O Estado precisa assegurar que famílias tenham o direito de viver em paz dentro de seus próprios lares”, defende Dudu Ribeiro, cofundador da Iniciativa Negra e especialista em segurança pública. Ele ressalta a importância de proteger o espaço doméstico.
Ribeiro complementa a análise: “O que os dados de novembro revelam é um cenário de ruptura profunda da segurança cotidiana. Quando 16% das vítimas são atingidas dentro de casa, estamos diante de uma situação em que nem o espaço mais básico de proteção está preservado. Isso afeta diretamente a saúde emocional, a confiança social e o direito à vida das pessoas que vivem nesses territórios violentados.”
Tragédia em Engenho Velho de Brotas
Entre os episódios mais chocantes que ilustram essa realidade, o relatório destaca um caso em Engenho Velho de Brotas. Na Ladeira do Sapoti, um homem e uma mulher foram encontrados mortos a tiros dentro de sua residência. A tragédia aconteceu apenas 15 dias depois de o casal ter se mudado para o imóvel, evidenciando a fragilidade da segurança mesmo em novos começos.
Os dados do Fogo Cruzado servem como um alerta urgente para a necessidade de repensar as estratégias de segurança pública, garantindo que o direito de viver em paz dentro de casa seja uma realidade para todos os cidadãos da Bahia.







