A Polícia Federal conseguiu desarticular um esquema bilionário de lavagem de dinheiro após acessar arquivos salvos no iCloud, o serviço de armazenamento da Apple. Os dados pertenciam ao contador Rodrigo de Paula Morgado e serviram como um verdadeiro mapa para a Operação Narcofluxo, que investiga a movimentação de R$ 1,6 bilhão oriundos de atividades criminosas.
As investigações apontam que o grupo utilizava apostas ilegais, rifas clandestinas e tráfico internacional de drogas para obter recursos. O dinheiro era lavado por meio de empresas de fachada, criptomoedas e o uso de laranjas. A Justiça autorizou 39 mandados de prisão e 45 de busca e apreensão em diversos estados e no Distrito Federal.
Entre os alvos principais estão os cantores MC Ryan SP e MC Poze do Rodo. Ryan é apontado pela PF como uma figura central e o maior beneficiário financeiro do esquema, usando empresas de entretenimento para misturar dinheiro limpo com valores ilícitos. Já Poze é investigado por movimentar recursos de rifas digitais e apostas.
Além dos artistas, influenciadores digitais conhecidos, como Raphael Sousa, da página Choquei, e Chrys Dias, também foram citados na investigação. Segundo a PF, esses comunicadores tinham o papel estratégico de divulgar as plataformas de apostas e ajudar na preservação da imagem pública dos envolvidos no esquema.
Para dificultar o rastreamento, a quadrilha utilizava uma técnica chamada "smurfing", que consiste em realizar várias transferências de valores pequenos. O lucro final era reinserido na economia legal através da compra de mansões, carros de luxo e joias, funcionando como uma espécie de banco clandestino.
Durante a operação, foram apreendidos bens de alto valor e a Justiça determinou o bloqueio de mais de R$ 1,6 bilhão em contas e ativos digitais. A defesa de MC Ryan SP declarou que todas as movimentações do cantor são lícitas. Já a equipe de MC Poze afirmou que ainda aguarda acesso total ao processo para se manifestar.







