Um dado alarmante para nossa região foi divulgado pelo Instituto Sou da Paz: no Nordeste, 62% das mulheres assassinadas em 2024 foram vítimas de armas de fogo. O número coloca a região como uma das mais perigosas para o público feminino no país quando o assunto é violência armada.
O estudo, chamado "Pela Vida das Mulheres", mostra um cenário preocupante em todo o Brasil. A presença de uma arma de fogo durante uma agressão contra uma mulher aumenta a chance de ela morrer em 85%, em comparação com ataques feitos com outros meios, como facas ou força física.
A situação é ainda mais grave para as mulheres negras. No Nordeste, a mortalidade de mulheres negras por armas de fogo é 3,2 vezes maior do que a de mulheres não negras. Em todo o país, a taxa de homicídios de mulheres negras também é quase o dobro da registrada entre as não negras.
Enquanto os assassinatos de homens caíram 15% entre 2020 e 2024, a queda para as mulheres foi de apenas 5%. Pior: no mesmo período, os crimes classificados como feminicídio, que são mortes por questão de gênero, aumentaram 10%, mostrando que a violência específica contra a mulher está crescendo.
A maioria das vítimas são jovens. Segundo o levantamento, 68% das mulheres mortas tinham entre 18 e 44 anos. Quando a arma de fogo está envolvida, a faixa etária mais atingida é ainda mais jovem, com um pico de casos entre 18 e 24 anos.
O local do crime também muda de acordo com a raça da vítima. Mulheres negras são mais assassinadas em vias públicas, especialmente com armas de fogo. Já para as mulheres brancas, o local mais perigoso continua sendo a própria casa.







