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Polícia

Após incêndio e ameaças, mulher volta a denunciar ex-companheiro no Sertão de Alagoas

Caso registrado no Povoado Sinimbú, zona rural de Delmiro Gouveia, reúne histórico de violência, prisão anterior e medida protetiva que deixou de ser renovada pela própria vítima.

Redação ChicoSabeTudo
22 de julho, 2026 · 00:00 2 min de leitura
Viatura da Polícia Militar em frente a residência durante ocorrência de violência doméstica em Delmiro Gouveia
Viatura da Polícia Militar em frente a residência durante ocorrência de violência doméstica em Delmiro Gouveia

Uma mulher procurou a Polícia Militar na tarde de quinta-feira (16) para relatar novas ameaças do ex-companheiro no Povoado Sinimbú, zona rural de Delmiro Gouveia, no Alto Sertão de Alagoas. Segundo informações divulgadas pela PM, o caso foi registrado como violência doméstica e familiar no âmbito da Lei Maria da Penha. O suspeito não foi localizado.

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De acordo com o boletim de ocorrência, uma guarnição do Grupamento de Polícia Militar (GPM) Barragem Leste foi acionada pelo Centro de Operações da Polícia Militar (Copom) para atender à denúncia. No local, os policiais ouviram o relato da vítima, que contou ter mantido um relacionamento de cerca de sete anos com o suspeito.

Segundo a mulher, o relacionamento foi encerrado em dezembro de 2024 por conta do comportamento controlador do ex-companheiro e do consumo excessivo de bebidas alcoólicas. O término não foi aceito pelo homem, que passou a ameaçá-la desde então.

O histórico relatado é grave. A vítima afirmou que, em episódio anterior, o suspeito ateou fogo à residência onde ela morava. O caso resultou na prisão do homem e na concessão de medidas protetivas de urgência pela Justiça, que permaneceram em vigor por cerca de seis meses. Após esse período, as medidas deixaram de ser renovadas por iniciativa da própria vítima, segundo informações divulgadas pela Polícia Militar.

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As novas ameaças teriam começado depois que o ex-companheiro avistou a mulher durante uma festividade no Povoado Sinimbú. A partir desse reencontro, ela voltou a se sentir ameaçada e buscou a polícia. O caso segue sob investigação da Polícia Civil.

O episódio ocorre em um contexto de violência crescente na região. Delmiro Gouveia é o terceiro município alagoano com mais notificações de violência contra meninas e mulheres, com 938 casos registrados entre 2020 e 2024, ficando atrás apenas de Maceió e Arapiraca. Alagoas registrou crescimento de 31% nos pedidos de Medida Protetiva de Urgência entre janeiro e junho de 2025 em comparação com o mesmo período do ano anterior, e a Polícia Civil bateu recorde de prisões por violência doméstica no estado, com 1.400 prisões no primeiro semestre de 2025, contra 1.099 no ano anterior.

No plano nacional, nos primeiros quatro meses de 2026, foram requeridas 159.990 medidas protetivas no Brasil e concedidas 104.401. Segundo o CNJ, foram registrados 966.785 casos novos de crimes baseados na Lei Maria da Penha em 2024, e 1.450 feminicídios foram oficialmente computados no Brasil no mesmo ano — uma média de 4 mulheres mortas por dia.

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A legislação de proteção às vítimas também vem sendo reforçada. Em abril de 2026, uma nova lei alterou a Lei Maria da Penha para estabelecer a monitoração eletrônica de agressores como medida protetiva autônoma e prever causa de aumento de pena no crime de descumprimento de medida protetiva.

Mulheres em situação de violência podem buscar orientação ou registrar denúncias pelo Ligue 180, serviço gratuito e disponível 24 horas por dia. Informações sobre suspeitos em fuga também podem ser repassadas à Polícia Militar pelo número 190, em caráter confidencial.

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