Um aparelho de celular e dois carregadores foram apreendidos dentro da cela onde está detido o policial penal Tiago Sóstenes Miranda de Matos, ex-diretor do Conjunto Penal de Paulo Afonso, no norte da Bahia. A descoberta foi confirmada publicamente na noite da última terça-feira (12) e acrescenta mais um capítulo à série de suspeitas de irregularidades na custódia do acusado de feminicídio.
Segundo informações da Polícia Militar de Sergipe, a revista ocorreu no dia 24 de abril, às 12h20, no Presídio Militar do Estado de Sergipe (Presmil), em Aracaju. A apreensão integra uma investigação do Ministério Público de Sergipe sobre possíveis irregularidades na custódia do policial penal, e a revista foi realizada em cumprimento a um ofício expedido pelo Controle Externo da Atividade Policial, exercido pelo próprio MP.
A determinação previa busca pessoal no interno e inspeção minuciosa na cela para verificar a existência de materiais ilícitos, objetos não autorizados ou qualquer item que pudesse comprometer a disciplina, a segurança e a ordem no estabelecimento prisional. Durante a inspeção, os policiais apreenderam um aparelho celular modelo Samsung Galaxy A10 e dois carregadores. A PMSE informou ainda que foi instaurado um processo administrativo para apurar a conduta do preso.
Segundo informações divulgadas pelo portal PA4, parceiro do Bahia Notícias, um inquérito também foi aberto para investigar as circunstâncias em que os equipamentos ingressaram na unidade prisional.
As suspeitas de irregularidades na custódia de Tiago Sóstenes não se limitam ao celular. O Ministério Público de Sergipe apura possíveis irregularidades na custódia do policial penal e, segundo informações divulgadas pela TV Sergipe, há suspeitas de que o preso tenha recebido regalias, como visitas sem autorização judicial, e de que tenha circulado livremente, sem o uso de algemas, pelo Hospital de Urgência de Sergipe (Huse) enquanto estava internado.
O Ministério Público questiona ainda o fato de o Judiciário não ter sido comunicado sobre a ida do custodiado ao hospital, ocorrida em 9 de abril. Diante da gravidade das denúncias, o órgão solicitou imagens de segurança e relatórios detalhados à unidade de saúde, além de explicações à unidade prisional responsável pela escolta.
Tiago Sóstenes é acusado de matar a empresária pauloafonsense Flávia Barros dos Santos, de 38 anos, morta a tiros em um hotel na orla de Atalaia, em Aracaju, no dia 22 de março. O casal morava em Paulo Afonso, no norte da Bahia, e estava em Aracaju para assistir a um show. Após atirar contra a vítima, ele tentou tirar a própria vida e foi socorrido.
O policial penal foi denunciado à Justiça pelo Ministério Público de Sergipe, acusado do crime. A informação foi divulgada pelo advogado da família da vítima, Lincoln Prudente Rocha, durante entrevista ao SE1. De acordo com os advogados, a denúncia enquadra o caso como feminicídio qualificado, com agravantes como o uso de arma de fogo de uso restrito.
A exoneração do cargo já havia sido anunciada, e a Seap informou que ele não respondia a nenhum processo disciplinar, apresentando um histórico funcional regular. Para o lugar dele, foi nomeado Alexandro Souza da Silva, que assumiu a direção do Presídio Regional de Paulo Afonso.







