Moradores de condomínios de alto padrão em Camaçari, na Região Metropolitana de Salvador (RMS), estão vivendo dias de apreensão e isolamento digital. Isso porque a falta de internet tem se tornado um problema constante, e o pior: a situação estaria ligada diretamente à ação do crime organizado na região. A denúncia aponta que facções criminosas estariam cortando cabos de fibra óptica e, ainda mais grave, impedindo que as empresas de telecomunicações façam a manutenção ou instalem novos serviços.
A tática cruel tem um objetivo claro e perverso, segundo reportagens divulgadas pela Band Bahia e repercutidas pelo Camaçari Notícias, parceiro do Bahia Notícias. Os criminosos estariam tentando forçar os moradores a contratar serviços de internet clandestinos, que seriam controlados pelas próprias facções. Entre esses serviços informais, um já conhecido como “CVnet” tem sido mencionado.
Medo e isolamento: a vida dos moradores sem conexão
A rotina de quem depende da internet para trabalhar, estudar ou mesmo para o lazer virou um pesadelo. Imagine não conseguir o suporte técnico para sua conexão porque a segurança pública não consegue garantir a integridade dos trabalhadores. Foi exatamente isso o que aconteceu com uma moradora, que preferiu não se identificar, ao tentar resolver o problema com a operadora Claro.
A operadora Claro negou o atendimento técnico sob a justificativa de que não havia condições de segurança pública para realizar o serviço na região.
Essa recusa das operadoras é um reflexo direto da intimidação imposta pelos grupos criminosos. Ameaças a técnicos de manutenção se tornaram comuns. Áudios que circulam em grupos de mensagens mostram relatos chocantes, onde os próprios técnicos contam que vêm sofrendo ameaças de traficantes desde dezembro do ano passado. Essa situação inviabiliza completamente a atuação das empresas de telecomunicações, deixando milhares de pessoas sem o serviço essencial e à mercê da vontade do crime organizado.
A consequência é um apagão de internet que não é um acidente, mas sim uma estratégia deliberada para dominar mais um setor da vida civil e extrair lucro da necessidade alheia. A comunidade local e as autoridades enfrentam um desafio crescente para restaurar a segurança e garantir o acesso a serviços básicos que se tornaram indispensáveis no dia a dia.







