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Royalties do petróleo: quem ganha com a exploração no Brasil?

A exploração de petróleo gera bilhões em royalties no Brasil, mas a divisão dos valores é tema de disputa. Descubra quem são os beneficiários e o motivo das brigas judiciais.

Redação ChicoSabeTudoRedação · Municipios
02 de fevereiro, 2026 · 14:41 3 min de leitura
Royalties do petróleo geram disputas fiscais entre estados produtores e não produtores - Imagem criada por inteligência artificial (ChatGPT / Olhar Digital)
Royalties do petróleo geram disputas fiscais entre estados produtores e não produtores - Imagem criada por inteligência artificial (ChatGPT / Olhar Digital)

A ideia de encontrar petróleo no quintal de casa mexe com a imaginação de muita gente. Mas, a quem pertenceria essa riqueza? No Brasil, a exploração de petróleo e gás natural gera bilhões de reais em royalties todos os anos. Esse dinheiro, que chega aos cofres públicos, serve para compensar os impactos ambientais e sociais da atividade, além de ser uma contrapartida pela exploração de um recurso que um dia vai acabar. A questão é que a forma como essa bolada é dividida gera brigas intensas e processos na justiça.

O que são os royalties e por que existem?

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Os royalties são, basicamente, uma compensação financeira. No caso do petróleo, eles foram criados para garantir que a União e as regiões mais afetadas pela extração recebessem uma parte justa da riqueza. Pense neles como um aluguel que as empresas pagam para usar um recurso que é de todos, mas que está localizado em um determinado lugar. Essa remuneração ajuda a mitigar problemas causados pela exploração de combustíveis fósseis no nosso território, desde a poluição até a sobrecarga de serviços em cidades próximas.

A história dos royalties do petróleo no Brasil

A forma como o Brasil lida com os royalties do petróleo mudou bastante ao longo dos anos. Veja os principais marcos:

  • Lei 2.004 (1953): Com a criação da Petrobras e o monopólio estatal, começou a se pensar em como compensar a nação pela exploração desse recurso vital.
  • Lei do Petróleo (1997): Essa lei abriu o mercado para outras empresas além da Petrobras e definiu quem seriam os beneficiários dos royalties de forma mais clara, incluindo estados e municípios que fazem divisa com as áreas de exploração.
  • Regime de Partilha (2010): Com a descoberta do Pré-Sal, novas regras foram criadas. O objetivo era aumentar a participação da União e destinar mais recursos para fundos sociais importantes.

Quem são os sortudos que recebem?

Hoje, os municípios que estão na zona principal de produção são os que recebem as maiores fatias desses pagamentos. Isso acontece por causa de critérios geográficos de confrontação. Além deles, as cidades que abrigam instalações de embarque e desembarque de gás natural ou óleo também têm direito, já que essas estruturas trazem riscos ambientais para a região.

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Definir exatamente essas fronteiras no mar é um trabalho complexo. Por isso, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) está sempre revisando e traçando esses limites, o que pode fazer com que cidades entrem ou saiam da lista de beneficiários a cada ano. Estados como Rio de Janeiro e Espírito Santo, por exemplo, concentram grande parte dos recursos por estarem diretamente ligados à extração.

União também tem sua fatia

A União, ou seja, o governo federal, também fica com uma parte significativa dos royalties. Esse dinheiro é usado para bancar ministérios e projetos que beneficiam o país inteiro, como investimentos na Marinha e em pesquisas científicas e tecnológicas. Em contratos de concessão padrão, os Estados Produtores e os Municípios Produtores recebem cerca de 26,25% cada, enquanto a União, por sua soberania e fiscalização, fica com algo entre 10% e 20%.

A briga pelos bilhões: por que nem todos ganham?

Apesar dos bilhões envolvidos, muitos estados e municípios do interior do Brasil não recebem pagamentos diretos consideráveis. Isso acontece porque a lei dá prioridade à compensação de quem sofre o impacto territorial imediato da exploração. Dessa forma, governadores de estados que não produzem petróleo argumentam que o petróleo é um bem da União como um todo, e por isso, os recursos deveriam ser distribuídos de forma mais justa e igualitária para todas as regiões do país.

Essa diferença de opiniões já levou a longas discussões no Supremo Tribunal Federal (STF). Inclusive, o STF chegou a suspender regras que tentavam mudar drasticamente a divisão dos royalties. Por enquanto, o impasse jurídico mantém a situação atual, onde os “vizinhos” dos poços de petróleo continuam sendo os principais destinatários dessas verbas milionárias.

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