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Prefeitura de Salvador restaura obras do Caminho da Fé após vandalismo

A Prefeitura de Salvador finaliza a restauração das obras do Caminho da Fé, no Bonfim, após atos de vandalismo, garantindo a contemplação para a Lavagem do Bonfim e protegendo o patrimônio cultural.

Redação ChicoSabeTudoRedação · Municipios
10 de janeiro, 2026 · 01:03 4 min de leitura
Foto: Jefferson Peixoto / Secom PMS
Foto: Jefferson Peixoto / Secom PMS

A Prefeitura de Salvador, na Bahia, concluiu a restauração das importantes obras do Caminho da Fé, localizadas na Avenida Dendezeiros, no tradicional bairro do Bonfim. As peças, que ligam as Obras Sociais de Irmã Dulce à Basílica Santuário de Nosso Senhor do Bonfim, voltam a brilhar a tempo da famosa Lavagem do Bonfim, evento que atrai milhares de pessoas para o trajeto onde as obras estão expostas.

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A recuperação se tornou urgente depois que sucessivos atos de vandalismo foram registrados nos espaços, inclusive com furtos de obras, ao longo do ano de 2025. Das 28 obras de arte que compõem o Caminho da Fé, 22 foram roubadas, causando um grande prejuízo ao patrimônio cultural e religioso da cidade. Os vândalos atacaram peças que homenageiam a história de Santa Dulce dos Pobres e do Senhor do Bonfim.

Um Caminho de Arte e Fé Revitalizado

As 14 estações do Caminho da Fé, que somam 28 obras de arte, agora contam com uma camada extra de proteção em vidro e estão fixadas com parafusos ocultos para tentar evitar novos ataques. Os 28 totens originais, feitos em madeira com chapas de aço inox e criados pelo renomado artista Juarez Paraíso, precisaram ser repostos. A Fundação Gregório de Mattos (FGM) foi quem viabilizou toda a produção do novo material.

“Essas obras criadas por Juarez Paraíso, um dos mais relevantes artistas visuais da Bahia, dialogam diretamente com a religiosidade, a memória coletiva e a paisagem cultural do nosso território. O Caminho da Fé não é apenas um percurso artístico, mas um espaço de contemplação, reflexão e encontro entre arte, espiritualidade e identidade social”, explicou Roberta Ventura, gerente de Patrimônio da FGM.

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Ela ressaltou que as obras têm um valor imenso, tanto do ponto de vista artístico quanto espiritual e cultural. Elas celebram duas figuras que são pilares da fé e da identidade do povo brasileiro: Santa Dulce dos Pobres, um símbolo de caridade e solidariedade, e o Senhor do Bonfim, a expressão máxima da fé e da tradição religiosa que atravessa gerações.

Vandalismo é Crime e Desrespeito

O artista Juarez Paraíso, autor das obras, lamentou profundamente os atos de vandalismo. Para ele, o problema se tornou uma questão de segurança pública, que exige mais educação, respeito à religião alheia e ao patrimônio de todos.

“A obra de arte merece toda a atenção possível, porque é um investimento econômico e cultural, o que exige responsabilidade de todos. Para nós, autores e produtores, o vandalismo foi um golpe grande. Provoca dor e impotência quando se percebe que não há como resguardar completamente as obras. Hoje, elas estão de volta graças ao interesse e à responsabilidade da FGM, à consciência pública da gestão e ao respeito à Santa Dulce”, desabafou Paraíso.

É bom lembrar que depredar ou danificar monumentos e bens públicos é crime no Brasil, conforme o artigo 163 do Código Penal, e pode levar a multas e detenção.

As obras do Caminho da Fé são tão importantes que estão em processo de tombamento e já contam com proteção legal provisória desde 2024. “Mesmo com esse reconhecimento, elas vêm sofrendo atos de vandalismo, o que é extremamente grave”, reforçou Roberta Ventura.

História do Caminho da Fé

Inaugurado em 13 de agosto de 2020, o Caminho da Fé nasceu como uma rota religiosa de 1,1 quilômetro. Seu objetivo é guiar os fiéis entre o Santuário do Bonfim e o Santuário de Santa Dulce dos Pobres, na Península de Itapagipe.

Os totens são instalados ao longo da via e têm duas faces. Assim, quem segue para a Igreja do Bonfim vê um lado da obra, e quem caminha em direção ao Hospital de Irmã Dulce vê o outro, criando uma experiência única para os peregrinos. O primeiro totem fica em frente ao Hospital Santo Antônio, perto da Igreja de Irmã Dulce, e a partir dali, as obras se alinham pela calçada até o Bonfim.

O projeto original do Caminho da Fé foi desenvolvido durante a pandemia de Covid-19, como um ato de esperança em um período de muitas incertezas. Além de Juarez Paraíso, outros 14 artistas contribuíram na concepção das obras, incluindo Sônia Rangel, Márcia Magno, Edsoleda Santos, Paulo Rufino, Fernando Pinto, Jota Cunha, Washington Falcão, Leonel Mattos, Ray Vianna, Chico Mazzoni, Murilo, Bel Borba, Guache Marques e Juraci Dória. Márcia Magno e Washington Falcão também foram essenciais na produção e restauração no ateliê de Juarez Paraíso.

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