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Paulo Afonso tem terra boa e sol de sobra: por que a cidade ainda não apostou na agricultura?

Colunista local defende que o município tem solo agricultável, água do São Francisco e condições de imitar o sucesso do agronegócio do oeste baiano — mas falta querer.

Redação ChicoSabeTudoRedação · Municipios
26 de maio, 2026 · 14:45 3 min de leitura
Portal ChicoSabeTudo
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Paulo Afonso é conhecida pela geração de energia elétrica, pela beleza das cachoeiras e pelo comércio que abastece toda a região do São Francisco. Mas há uma vocação que passa quase despercebida: a agricultura. É essa tese que o escritor e colunista Francisco Nery Júnior defende numa reflexão publicada no portal PA Notícias, com o tom de quem conversa na esquina — mas diz coisas sérias.

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A provocação não é acadêmica. Nery Júnior conta que aprendeu sobre o potencial agrícola da região com um engenheiro agrônomo do IFBA (Instituto Federal da Bahia), profissional com larga experiência em órgãos do setor no estado. O técnico, segundo o colunista, acabou pedindo transferência rapidamente — o que, nas entrelinhas, diz muito sobre o aproveitamento que o município faz desse conhecimento.

Para ilustrar o argumento, o autor recorre a um exemplo simples e caseiro: em apenas 10 metros quadrados de quintal, ele colheu 3 quilos de feijão mulatinho. Além do feijão, relata crótons em flor, pinhas, romãs, limões, coqueiro, mangueira e laranjeira no mesmo espaço urbano. "Eles me alimentam a alma muito mais que o estômago", escreve.

A ideia não é utópica. Em março de 2026, Paulo Afonso sediou o lançamento da segunda etapa do Projeto Lagos do São Francisco, iniciativa financiada pela Axia Energia e executada pela Embrapa Semiárido, que investirá R$ 2,4 milhões para beneficiar mais de 2,6 mil produtores rurais em quatro estados do Nordeste. O projeto já mostrou resultado: cada real investido na primeira fase gerou um retorno de três reais em valor para a comunidade.

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Há ainda outro movimento concreto na cidade. A Secretaria de Desenvolvimento Rural de Paulo Afonso deu início a projeto estratégico para o campo, recebendo a equipe técnica da Embrapa Semiárido, de Petrolina, para uma visita que marca o início das ações para a implantação de um Centro de Aprendizado Tecnológico (CAT). O estudo técnico contempla três pilares: hortaliças, fruticultura e revitalização de nascentes.

A comparação que o colunista faz com o oeste da Bahia é pertinente. O Oeste baiano tornou-se o maior polo de irrigação do Brasil, e o estado ocupa o segundo lugar nacional em irrigação por pivôs centrais, com mais de 404 mil hectares irrigados, segundo dados da Embrapa. Apenas sete municípios do oeste baiano respondem por 44% do PIB agropecuário de toda a Bahia. O exemplo está a algumas horas de distância de Paulo Afonso — e foi construído com pesquisa, investimento e liderança.

Apesar das limitações climáticas típicas do semiárido, na parte central e sul do município de Paulo Afonso ocorrem áreas com potencialidades favoráveis à utilização agrícola, conforme diagnóstico agroambiental produzido pela própria Embrapa. O total anual médio de precipitação registrado em Paulo Afonso é de 586 mm — suficiente para cultivos adaptados, especialmente quando combinado com técnicas de captação e o acesso à água do Rio São Francisco.

Nery Júnior não prega milagre. Pede algo mais simples: que o dinheiro público chegue a quem trabalha a terra, que haja liderança e que a cidade pare de subestimar o próprio chão. A mensagem é direta — e o quintal dele, florido e produtivo no meio do sertão, funciona como argumento vivo.

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