Alunos do Instituto Federal da Bahia (IFBA) que moram em São Felipe e dependem do transporte universitário municipal foram surpreendidos na última sexta-feira (31) com a notícia de que o ônibus não sairia. A viagem até o campus de Santo Antônio de Jesus foi cancelada porque o número mínimo de passageiros exigido para a operação do serviço não foi atingido.
Segundo comunicado divulgado no grupo de mensagens do transporte, a Secretaria Municipal informou que o veículo não realizaria a viagem devido ao não atingimento do número mínimo de passageiros exigido para a saída. De acordo com as informações repassadas aos estudantes, apenas cinco alunos haviam confirmado presença — metade dos dez exigidos como mínimo para a liberação do veículo.
O caso expõe uma vulnerabilidade dos universitários do interior baiano que não têm renda para arcar com o deslocamento por conta própria. Sem o transporte público municipal, a opção de chegar ao campus torna-se financeiramente inviável para boa parte desse grupo.
O problema não é exclusivo de São Felipe. No município de Cruz das Almas, também no Recôncavo baiano, estudantes da UNEB e da UFRB já formaram coletivos para pressionar a Secretaria de Educação local a disponibilizar transporte até Santo Antônio de Jesus. Em abril deste ano, um estudante de Cruz das Almas aprovado no IFBA relatou que a ausência de transporte ameaçava sua permanência no curso — e que pretendia acionar o Ministério Público da Bahia para garantir o direito ao acesso à educação.
Especialistas alertam que a falta de transporte pode comprometer, na prática, o direito constitucional à educação — sobretudo para alunos em situação de vulnerabilidade social ou moradores da zona rural, que não têm alternativas de locomoção.
Os estudantes afetados pela suspensão desta sexta foram orientados, segundo o comunicado, a procurar o setor responsável pelo transporte universitário do município para obter mais informações sobre o serviço. Até o fechamento desta reportagem, a Prefeitura de São Felipe não havia se manifestado publicamente sobre o episódio nem informado se haveria reposição da viagem cancelada.
A situação reacende o debate sobre os critérios de operação do transporte universitário municipal no interior da Bahia. A exigência de quórum mínimo, quando não acompanhada de alternativas para os dias de baixa adesão, pode penalizar justamente os alunos que mais precisam do serviço.







