Um homem identificado como Tarcísio Sodré morreu após ser atingido por uma espada durante os festejos juninos em Sapeaçu, município do Recôncavo Baiano, na segunda-feira (23). O caso gerou grande comoção na cidade e levou a Prefeitura Municipal a suspender toda a programação prevista para a noite, em sinal de respeito ao luto da família e da comunidade.
Segundo informações divulgadas pelo Voz da Bahia, Tarcísio era sobrinho de Edzelute Sodré, servidora da Secretaria Municipal de Educação de Sapeaçu. Ele não resistiu aos ferimentos provocados pelo incidente e morreu antes de a noite de festejos começar.
Por meio de nota oficial, a administração municipal manifestou pesar pelo ocorrido e prestou solidariedade à família. "Neste momento de dor, toda a gestão municipal se solidariza com familiares e amigos, expressando os mais sinceros sentimentos", disse trecho do comunicado. A decisão de cancelar os festejos foi recebida com compreensão pela população local, que também prestou homenagens nas redes sociais.
O episódio reacende o debate sobre os riscos da queima de espadas, prática tradicional em cidades do Recôncavo Baiano durante o período junino. A prática da guerra de espadas é proibida pela Justiça baiana desde 2017, decisão que visa coibir a fabricação, transporte, comercialização e utilização desses artefatos devido aos altos riscos envolvidos. No entanto, a tradição persiste clandestinamente, desafiando as diretrizes do Ministério Público e das forças de segurança.
O caso de Sapeaçu não é isolado neste São João 2025. Na noite de quarta-feira (25), um homem foi atingido na boca por uma espada durante os festejos juninos em Cruz das Almas, no Recôncavo Baiano, com impacto tão forte que a dentadura da vítima quebrou no local, sendo em seguida socorrido. Acidentes com espadas são recorrentes na cidade durante o período junino, mesmo com os alertas das autoridades sobre os perigos do uso desses artefatos artesanais.
A rede de saúde do estado está em alerta para esse tipo de ocorrência. Com três centros de tratamento de queimados na rede de assistência estadual, a Bahia é referência para o cuidado de pacientes vítimas de acidentes com queimaduras, com serviços instalados no Hospital Geral do Estado (HGE), em Salvador, no Hospital Regional de Santo Antônio de Jesus (HRSAJ) e no Hospital do Oeste, em Barreiras. Os dados da Secretaria Estadual de Saúde apontam que junho concentra os maiores índices de internação por acidentes desse tipo — ao longo de 2024, foram 75 internações, sendo 32% somente naquele mês.
Do ponto de vista legal, a fabricação, comercialização, transporte e queima de espadas são proibidos pela legislação brasileira. Os artefatos são enquadrados como explosivos e o uso pode configurar crime previsto no Estatuto do Desarmamento, devido aos riscos de acidentes. Ainda assim, a prática persiste em diversas cidades do interior baiano a cada junho, com consequências que, como em Sapeaçu, podem ser fatais.







