A Orla Portal dos Cânions, em Olho d'Água do Casado (AL), recebeu no último domingo uma iniciativa inédita voltada ao fortalecimento da economia local: a 1ª Feira de Artesanatos e Derivados do Beneficiamento do Pescado. O evento reuniu moradores e visitantes em torno das tradições ribeirinhas do Velho Chico, com exposição de peças artesanais, gastronomia a base de pescado da região e muita música.
A programação cultural ficou por conta da Banda Espinho de Mandacaru, que animou o público ao som do forró pé de serra — ritmo raiz que integra a identidade cultural do sertão nordestino. A feira foi pensada para valorizar o que a região tem de mais genuíno: a pesca artesanal e o saber fazer das comunidades às margens do Rio São Francisco.
A realização foi fruto de uma parceria entre a Associação de Pescadores e Pescadoras Artesanais de Olho d'Água do Casado (Apesca) e o Conselho Pastoral dos Pescadores e Pescadoras (CPP – Bahia e Sergipe). A Apesca foi fundada em 2014 e atua na defesa dos direitos sociais dos pescadores artesanais do município, sendo uma das entidades representativas da categoria no Baixo São Francisco.
A organização destacou o empenho das lideranças Quitéria Gomes, José Adailton da Silva e Nicácio dos Santos na condução das atividades, segundo informações divulgadas pela assessoria de comunicação do evento. A dedicação desses nomes foi apontada como peça fundamental para que a feira saísse do papel.
A Prefeitura Municipal de Olho d'Água do Casado apoiou institucionalmente o evento, com participação da Secretaria de Cultura e Turismo e da Secretaria de Comunicação. O suporte do poder público reforça o esforço de colocar a cidade no roteiro cultural e turístico da região — algo que já vinha ganhando força. O município, conhecido como "Portal dos Cânions", mantém certificação ativa no Mapa do Turismo Brasileiro do Ministério do Turismo.
O cenário escolhido para o evento não é por acaso. O município integra o Monumento Natural do Rio São Francisco, que protege os imponentes cânions formados entre o Complexo Hidrelétrico de Paulo Afonso e a Usina de Xingó. Os Cânions do Xingó formam o quinto maior cânion navegável do mundo, com paredões de rocha arenítica que chegam a cerca de 60 metros de altura. É nesse cenário de beleza rara que pescadores e artesãos constroem seu sustento.
A rotina dos moradores está intrinsecamente ligada ao "Velho Chico", que fornece desde o peixe para os pratos servidos nos restaurantes até o alívio térmico necessário nos dias de calor intenso. A feira buscou transformar essa ligação histórica com o rio em oportunidade concreta de renda e visibilidade para quem vive da pesca artesanal.
A iniciativa também mira o turismo. Além dos produtos do artesanato, a região já oferece aos turistas excursões por trilhas ecológicas, passeios de barcos pelos cânions e culinária local com doces, geleias, licores e pimenta em conserva. A feira amplia esse cardápio de atrações e sinaliza que Olho d'Água do Casado quer estruturar uma economia criativa baseada na cultura ribeirinha — e que os próprios pescadores querem protagonizar esse processo.







