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Fé do sertão alagoano vira produto turístico: Rota da Devoção mira visitantes o ano todo

Iniciativa do Sebrae Alagoas lança roteiro oficial pelo interior do estado, unindo santuários de Frei Damião, ecoturismo e história em circuito voltado para o mercado nacional de R$ 15 bilhões.

Redação ChicoSabeTudo
23 de junho, 2026 · 10:05 3 min de leitura
Santuário de Frei Damião em Palmeira dos Índios, Alagoas, com fiéis em romaria
Santuário de Frei Damião em Palmeira dos Índios, Alagoas, com fiéis em romaria

O interior de Alagoas, famoso pelas romarias e santuários do Nordeste, acaba de dar um passo importante para deixar de ser destino apenas de época. O novo roteiro foi apresentado oficialmente por meio de um famtour exclusivo para operadoras e agências de viagens, marcando a transformação das manifestações de fé em um produto turístico estruturado, capaz de atrair visitantes durante todo o ano.

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A Rota da Devoção foi idealizada a partir de uma parceria entre o Sebrae Alagoas, a Instância de Governança Regional (IGR) Serras e Quilombos e a Associação Brasileira de Agências de Viagens (ABAV), com apoio do poder público. O objetivo é romper a dependência do fluxo restrito às datas de festejo — e colocar o agreste alagoano no mapa permanente do turismo nacional.

O mercado que o interior alagoano quer abocanhar é expressivo. O turismo religioso no Brasil movimenta aproximadamente R$ 15 bilhões anuais e atrai cerca de 17,7 milhões de viajantes, segundo dados do Ministério do Turismo. O segmento já representa mais de 3% da movimentação econômica do turismo nacional e seu impacto é sentido diretamente nas economias locais, especialmente em hospedagem, transporte, alimentação e comércio.

Para a turismóloga e analista do Sebrae Alagoas, Susylane Ferreira, o estado tem os ingredientes certos para competir nesse mercado. "Nós temos os atrativos naturais e a força da fé enraizados na nossa cultura, com força para atrair visitantes de todo o país e até do exterior. Para transformar esse potencial em desenvolvimento real, o setor privado e o público se uniram para caminhar juntos", afirma. Ela lembra que o Sebrae já estruturou a Rota da Cachaça com êxito, e aposta no mesmo resultado com a nova rota religiosa.

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O roteiro tem início na histórica Vila São Francisco, no município de Quebrangulo. O local recebe mais de 10 mil pessoas durante o Carnaval, atraídas pelo santuário ligado ao Beato Franciscano e à memória de Frei Damião — que usava o local para iniciar a preparação para a quaresma. A 560 metros de altitude, a Chapel de Nossa Senhora Aparecida, no Assentamento Maniva Romualdo, oferece uma visão panorâmica do município e une o turismo sagrado ao ecológico. De lá, é possível avistar áreas de mata preservada pela ONG suíça Nordesta e a Reserva Biológica de Pedra Talhada, com trilhas ecoturísticas apoiadas pelo Sebrae.

De Quebrangulo, o percurso segue até o Santuário de Frei Damião, no distrito de Canafístula, em Palmeira dos Índios. A romaria de Frei Damião reúne cerca de 40 mil visitantes na cidade. Frei Damião de Bozzano dedicou 66 anos à evangelização no Nordeste brasileiro e teve seu processo de canonização iniciado em 2013. Em Canafístula, sua memória segue viva entre os devotos e impulsiona um turismo que une espiritualidade, cultura e desenvolvimento econômico.

Além de formatar tecnicamente o roteiro junto às prefeituras e entidades, o Sebrae atua no mapeamento de rotas, qualificação de empreendedores e organização da cadeia turística em cidades como Palmeira dos Índios, Quebrangulo e Limoeiro de Anadia, com a proposta de transformar locais de fé em destinos estruturados, gerando emprego, renda e oportunidades para pequenos negócios. Artesãos, donos de restaurantes e guias locais foram capacitados para receber os visitantes.

Ao final do famtour, o clima entre empresários e agentes turísticos confirmou que a fé, além de sustentar a cultura das comunidades visitadas, é um caminho promissor para o empreendedorismo e a transformação social. Ao estruturar a Rota da Devoção, o Sebrae Alagoas reforça o compromisso de descentralizar a economia do turismo, levando visibilidade e desenvolvimento sustentável para comunidades do interior.

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