Um pedaço de 140 anos da história social de Alagoas está prestes a virar canteiro de obras. O Clube Fênix Alagoana, considerado o mais antigo clube social do estado, vai encerrar as atividades para dar lugar a um empreendimento da Uchoa Construções. Quem passa pela Avenida da Paz, na orla central de Maceió, já encontra placas e faixas anunciando a incorporação do centenário imóvel.
Segundo informações divulgadas pelo portal TNH1, o clube foi fundado em 15 de março de 1886 e inaugurado em 7 de setembro daquele mesmo ano — data que passou a ser comemorada oficialmente como a de sua fundação. Em 2026, completa exatamente 140 anos de existência.
Em seu auge, o Fênix era considerado o mais aristocrático dos clubes alagoanos. Sediado na Avenida da Paz, no bairro de Jaraguá, o espaço funcionou durante décadas como ponto de encontro da elite social e cultural da capital alagoana. Agora, esse ciclo chega ao fim.
O Fênix não é o primeiro a cair. Nos últimos anos, outras agremiações que marcaram época em Maceió também encerraram as portas, como o Jaraguá Tênis Clube, a Portuguesa e o Alagoas Iate Clube, de acordo com a reportagem original. Já outros clubes buscaram alternativas para sobreviver: a Motonáutica Lagoa Clube negociou com a Braskem a cessão da antiga sede em troca da construção de uma nova, enquanto o Iate Clube Pajuçara cedeu parte de sua área a uma rede hoteleira e recebeu uma sede moderna como contrapartida.
O fenômeno não é exclusivo de Alagoas. Em todo o Brasil, o avanço dos condomínios residenciais com estrutura de lazer completa vem esvaziando clubes tradicionais há cerca de quatro décadas. O surgimento dos chamados clubes de praia, das casas de veraneio no litoral e, depois, dos modernos condomínios fechados com piscinas, academias e quadras esportivas mudou o comportamento das famílias brasileiras — e tirou dos clubes sociais sua principal razão de existir.
Na Bahia, o impacto é semelhante. O alto investimento do mercado imobiliário em áreas de lazer e convivência levou clubes tradicionais de Salvador a buscar estratégias para fidelizar sócios e, em alguns casos, se reinventar para não fechar as portas. Associações históricas relatam queda consistente no número de associados desde que os condomínios-clube passaram a oferecer infraestrutura comparável à de um resort dentro do próprio endereço residencial.
Para especialistas em urbanismo, esse movimento reconfigura as cidades de forma profunda. O modelo do condomínio fechado, que concentra moradia, lazer e segurança em um único espaço privado, avança de forma acelerada e praticamente irreversível por todas as regiões do país, segundo análises do setor. No caminho, leva consigo espaços de convivência coletiva que durante gerações funcionaram como ponto de encontro entre diferentes camadas sociais.
No caso do Clube Fênix Alagoana, o fim representa não apenas o fechamento de uma instituição, mas a transformação definitiva da paisagem urbana da orla de Maceió. Onde havia salões de festa e quadras esportivas, em breve haverá mais um empreendimento imobiliário voltado para quem pode pagar por lazer privado.







