A meio-campista Kamila Santos Lima, ex-capitã do Vitória, conquistou na Justiça do Trabalho o direito de romper unilateralmente o contrato com o clube baiano. O motivo foi um atraso no recolhimento do FGTS de apenas R$ 498,70.
Segundo os autos do processo, aos quais o portal A TARDE teve acesso, a atleta alega que o Vitória não depositava o FGTS desde o início do vínculo, firmado em fevereiro de 2026, de acordo com a data registrada no processo. O pedido de rescisão indireta havia sido negado em primeira instância, mas Kamila recorreu por Mandado de Segurança e obteve decisão favorável no Tribunal Regional do Trabalho (TRT).
A liminar foi concedida pelo desembargador Luiz Carlos Gomes Carneiro Filho no dia 3 de agosto. Para o magistrado, o não recolhimento do FGTS representa uma infração suficientemente grave para justificar o fim do vínculo, com base na Lei Geral do Esporte, que autoriza esse tipo de rescisão quando o atraso passa de dois meses.
No texto da decisão, o desembargador ponderou que o período de atuação de uma atleta é limitado e exige presença constante em competições oficiais. Por isso, manter Kamila vinculada a um clube que descumpre obrigações básicas, com o contrato prestes a se encerrar em novembro de 2026, prejudicaria sua valorização profissional.
Contratada com salário registrado de R$ 1.621, hoje equivalente ao mínimo nacional, Kamila afirma ter recebido também valores fora da folha, somando R$ 4.065 mensais — incluindo R$ 700 de auxílio-moradia. A defesa da jogadora estima em R$ 4.559,44 o valor total da causa, entre aviso prévio, multas e o FGTS em atraso com seus acréscimos, quantia que só será definida na sentença final.
Com a decisão, Kamila teve o vínculo com a CBF liberado de imediato, o que já permite negociar com outro clube. O processo, porém, continua em tramitação para definir os valores devidos.
Em nota, o Vitória informou que respeita o andamento judicial do caso e reforçou, nos autos, que o motivo apresentado pela atleta não seria suficiente para justificar a rescisão. O clube também reconheceu passar por dificuldades financeiras pontuais, que classificou como já em processo de solução, e negou pagamentos fora da folha à jogadora.
A equipe feminina do Vitória enfrenta dificuldades também dentro de campo. De acordo com levantamento da imprensa esportiva, o time ocupa a 17ª posição do Campeonato Brasileiro Feminino, somando apenas seis pontos em 13 partidas disputadas na competição.







