Paulo Afonso · BA
Última hora
Operação prende 14 suspeitos em Salvador nesta manhãSTF retoma julgamento sobre marco temporal nesta tardeVitória empata em casa pela Copa do BrasilVagas de emprego no polo de Camaçari saltam 22%Salvador registra maior volume de chuva do mês
PI 637
Esportes

SAF transforma Fluminense de Feira e aposta na base para futuro

A SAF salvou o Fluminense de Feira de uma crise severa, apostando na base como eixo central para a sustentabilidade. O clube reconstruiu sua estrutura e investe em formação de atletas para garantir seu futuro financeiro e esportivo.

Redação ChicoSabeTudoRedação · Esportes
03 de fevereiro, 2026 · 08:25 4 min de leitura
Foto: Acervo Pessoal / Bahia Notícias
Foto: Acervo Pessoal / Bahia Notícias

O Fluminense de Feira, conhecido carinhosamente como Touro do Sertão, viveu momentos tão difíceis que quase deixou de existir. Imagine um clube tradicional, com dívidas enormes e sem a menor condição de funcionar. Pois é, essa era a realidade do Flu de Feira até bem pouco tempo. Mas, sabe o que aconteceu? A criação da Sociedade Anônima do Futebol (SAF) chegou como um sopro de vida, virando o jogo e colocando o time em um novo caminho, com foco total na formação de novos talentos.

Publicidade

A virada aconteceu quando a Core3 Tecnologia assumiu 90% da SAF em outubro de 2023, depois de uma assembleia decisiva. Os sócios André Oliveira e Filemon Neto não só assumiram uma dívida de R$ 5 milhões, como também prometeram injetar R$ 20 milhões ao longo de 20 anos. Filemon Neto, que agora é presidente da SAF, não tem dúvidas: sem essa mudança, o clube teria fechado as portas.

"Se a SAF não tivesse sido criada, não teria clube no ano posterior. O Fluminense chegou a um ponto em que não tinha mais ferramentas. Não tinha estrutura, não tinha recurso, eram dívidas intermináveis, tudo executado na Justiça. O clube realmente chegou ao fim", contou o gestor ao Bahia Notícias.

A situação era crítica mesmo. Ao assumir, a SAF encontrou o Centro de Treinamento em total abandono. Filemon relembrou a situação chocante: o CT estava tão destruído que era como um terreno baldio, com gente e até animais passando por dentro. A primeira atitude foi simples, mas simbólica: cercar o local.

Publicidade

"A primeira coisa foi cercar o local e dizer: 'Pronto, aqui agora é a nossa casa'", relembrou ele.

A partir daí, começaram as reformas para reerguer o time. Foram recuperados os gramados e vestiários, reconstruída a academia, reativado o departamento médico e criado um setor de fisioterapia completo. A logística também melhorou com a reforma dos alojamentos, a reativação do refeitório e a compra de um ônibus próprio para levar os atletas. Era o básico sendo refeito para dar dignidade ao clube.

Base: o motor da sustentabilidade

Paralelamente a essa reconstrução física, a SAF introduziu uma nova mentalidade. O Fluminense de Feira, de Feira de Santana, na Bahia, precisava pensar como uma empresa. E o segredo para se manter de pé, segundo Filemon, é um só: investir na base.

"Um clube do interior só tem um caminho para se tornar sustentável: investir na base. Não tem como honrar o orçamento anual baseado apenas em retorno de competição e patrocínio. É por isso que os clubes fecham", explicou Filemon Neto.

Essa estratégia de fortalecer as categorias de base vai além da estrutura. O clube está investindo na qualificação profissional e buscando conhecimento fora do país. Recentemente, o coordenador da base foi enviado para a Espanha para aprender sobre os métodos de formação e gestão de atletas usados lá fora.

"Entendemos que investir só em estrutura não basta; é preciso investir em conhecimento. Por isso, enviamos o nosso coordenador para a Espanha, para vivenciar outras metodologias, entender como funciona a formação lá fora e trazer isso para a nossa realidade", afirmou o presidente da SAF.

Mas, atenção: o objetivo não é copiar, e sim adaptar. A ideia é pegar o que há de melhor no mundo e usar para desenvolver um projeto único e autoral, que já está em pleno vapor. Hoje, o investimento na base é até maior que no próprio futebol profissional, comprovando que a formação de atletas é a grande prioridade.

"A base hoje é o nosso carro-chefe. Todos os investimentos passam por ela. Hoje, tudo que o profissional tem, a base tem igual ou superior. Não seguimos projeto de nenhum outro clube; é um processo solo de 'fábrica de atletas'", revelou Filemon.

Os primeiros resultados já apareceram e até superaram as expectativas. No primeiro ano, a meta era formar cinco atletas, mas o clube conseguiu oito jogadores que já estão em outras equipes. As metas para o futuro são ambiciosas:

  • Curto prazo: Formar 15 atletas por ciclo.
  • Médio prazo (a partir do 3º ano): Manter uma média de 25 a 30 atletas formados por ano, seja para negociar com times maiores ou para integrar o elenco principal do Touro.

A expectativa é que a partir de 2028, o Fluminense de Feira comece a colher os frutos financeiros e esportivos desse projeto. Com a base "rodando" a todo vapor, a promessa é que o clube se sustente 100% com o que produz em casa.

Leia também