A última rodada do Campeonato Brasileiro não trouxe boas notícias para os dois times baianos da Série A, mas o diagnóstico de especialistas é bem diferente para cada um. No podcast Segue o BAba, do ge, os comentaristas debateram com franqueza os momentos de Bahia e Vitória — e as conclusões acendem um sinal de alerta para as duas torcidas.
No lado do Bahia, o problema é crônico. O Esquadrão acumula sete partidas consecutivas sem vencer na temporada, e o torcedor já não tem mais paciência. Antes, durante e após a partida contra o Grêmio, protestos e vaias tomaram conta da Fonte Nova, tendo Rogério Ceni como principal alvo. O empate por 1 a 1 igualou o maior jejum sem vitórias da era Ceni no clube.
Para o comentarista Ruan Melo, do Segue o BAba, o técnico está tentando, mas esbarra em um problema que vai além do vestiário. Segundo ele, Ceni está "sacudindo o elenco como nunca", abrindo mão de titulares — e que a demora em casos como Jean Lucas e Ramos Mingo custou caro. Mas o ponto central da análise é outro: sem Everton Ribeiro funcionando, e sem um substituto à altura no elenco, qualquer treinador teria dificuldade. A tese do comentarista é direta: o futuro do Bahia no Brasileirão passa pela janela de meio de ano.
Sem vencer há seis partidas e vindo de eliminação para o Remo na Copa do Brasil, o técnico Rogério Ceni passou a intensificar as mudanças na formação titular em busca de uma reação rápida no Campeonato Brasileiro. As mudanças mostram um treinador tentando evitar que a crise técnica se transforme em problema emocional dentro do elenco, mas o Bahia perdeu consistência coletiva justamente no momento em que o calendário ficou mais pesado.
O próprio Ceni reconheceu o momento difícil após o empate com o Grêmio. "Vejo como uma democracia as pessoas expressarem as suas opiniões. Entendo a tristeza do torcedor. A gente também carrega. Hoje, com tantas oportunidades, a bola não entra. Momento difícil, de baixa. Hoje a gente fez muito bom jogo, melhor que na Copa do Brasil, mas não conseguiu vencer. Isso é frustrante", disse o treinador.
Do outro lado da cidade, o Vitória vive uma contradição. A classificação sobre o Flamengo na Copa do Brasil, no Barradão, gerou euforia — mas o desempenho fora de casa preocupa analistas. Como visitante, a equipe enfrenta grandes dificuldades. O time ainda não venceu fora de Salvador pelo Brasileirão, registrando três empates e quatro derrotas. A defesa sofreu 17 gols nos sete jogos como visitante, mostrando-se bastante vulnerável.
Na derrota por 2 a 0 para o Bragantino, em Bragança Paulista, o roteiro se repetiu. A derrota mantém o desempenho do Vitória como visitante entre os principais problemas da equipe nesta Série A. O Leão permaneceu com 19 pontos, em situação delicada na competição e próximo da zona de rebaixamento.
O comentarista Rafael Teles, no podcast, resumiu bem o paradoxo: entre a euforia das atuações em casa e a pobreza dos resultados fora, seu olhar é de preocupação. Segundo ele, o Vitória está a um ponto da zona de rebaixamento, e um jogo ruim no Barradão pode fazer o castelo de cartas desabar. Para Teles, sustentar esse rendimento dentro de casa ao longo de todo o campeonato é o maior desafio do Leão.
O colega Rafael Carmo apontou que o Vitória precisa construir uma gordura de pontos em casa antes que os adversários se adaptem. O próximo teste já está marcado: a semifinal da Copa do Nordeste contra o ABC, no Barradão. Apesar de favorito, o time potiguar chega embalado por uma goleada de 4 a 0 sobre o Juazeirense e com boa campanha na Série D.
Além da proximidade entre os clubes do meio da tabela, apenas cinco pontos separam o sexto lugar da zona de rebaixamento no Brasileirão 2026. A movimentação escancara como uma única vitória é capaz de mudar completamente o panorama de classificação. Para Bahia e Vitória, o recado é o mesmo: não há margem para tropeços.







