Paulo Afonso · BA
Última hora
Operação prende 14 suspeitos em Salvador nesta manhãSTF retoma julgamento sobre marco temporal nesta tardeVitória empata em casa pela Copa do BrasilVagas de emprego no polo de Camaçari saltam 22%Salvador registra maior volume de chuva do mês
PI 637
Esportes

Fluminense de Feira: SAF resgata clube e aposta em base para futuro

A SAF trouxe uma nova era para o Fluminense de Feira, tirando o clube da beira da extinção e focando na base como motor de sustentabilidade e formação de atletas.

Redação ChicoSabeTudoRedação · Esportes
03 de fevereiro, 2026 · 03:11 4 min de leitura
Foto: Acervo Pessoal / Bahia Notícias
Foto: Acervo Pessoal / Bahia Notícias

O Fluminense de Feira, tradicional time do interior baiano, respirou aliviado e hoje mira um futuro promissor graças à chegada da Sociedade Anônima do Futebol (SAF). Depois de anos à beira da extinção, afogado em dívidas e sem estrutura, o 'Touro do Sertão' encontrou na nova gestão e no investimento na base um caminho para a sustentabilidade e a formação de novos talentos.

Uma Crise Que Quase Acabou com o Clube

Publicidade

Pouco tempo atrás, a situação do Fluminense de Feira, da cidade de Feira de Santana, na Bahia, era desesperadora. Sem dinheiro, com dívidas sendo cobradas na Justiça e uma estrutura física praticamente abandonada, o clube enfrentava seus dias mais difíceis. Era um cenário que, segundo quem viveu de perto, indicava o fim da jornada.

"Se a SAF não tivesse sido criada, não teria clube no ano posterior. O Fluminense chegou a um ponto em que não tinha mais ferramentas. Não tinha estrutura, não tinha recurso, eram dívidas intermináveis, tudo executado na Justiça. O clube realmente chegou ao fim", contou Filemon Neto, presidente da SAF do Flu de Feira.

Foi nesse momento crítico que a Core3 Tecnologia entrou em campo. Em outubro de 2023, a empresa adquiriu 90% da SAF do clube, assumindo uma dívida de R$ 5 milhões e se comprometendo com um aporte de R$ 20 milhões, a serem investidos nos próximos 20 anos. Uma verdadeira injeção de esperança e recursos.

Da Terra Batida à Nova Casa: A Reconstrução

Publicidade

Quando a SAF, liderada pelos sócios André Oliveira e Filemon Neto, assumiu o futebol do Fluminense, o Centro de Treinamento (CT) era um símbolo do abandono. “Assumimos o clube com muita dificuldade, sem credibilidade e sem recurso nenhum. O CT estava totalmente destruído; era praticamente um terreno baldio. Era aberto, as pessoas atravessavam por dentro como caminho, tinha animais lá dentro", lembrou Filemon.

A primeira atitude, quase que um gesto de posse, foi cercar o local. "A primeira coisa foi cercar o local e dizer: 'Pronto, aqui agora é a nossa casa'", disse o presidente. A partir daí, uma série de reformas essenciais começou a transformar o CT:

  • Campos e Vestiários: Recuperação completa dos gramados e das áreas onde os jogadores se preparam.
  • Saúde e Performance: A academia foi reconstruída, o departamento médico reativado e um novo setor de fisioterapia implementado.
  • Logística e Alojamento: Os alojamentos passaram por uma reforma geral, o refeitório voltou a funcionar e o clube comprou um ônibus próprio para o transporte das equipes.

A Base é a Coluna Vertebral do Novo Flu

Mais do que reformar paredes e gramados, a SAF trouxe uma nova mentalidade. Para Filemon Neto, a chave para a sustentabilidade de um clube do interior é clara: "Um clube do interior só tem um caminho para se tornar sustentável: investir na base. Não tem como honrar o orçamento anual baseado apenas em retorno de competição e patrocínio. É por isso que os clubes fecham", explicou ele.

No "Novo Flu", como é chamado, a divisão de base não é apenas um setor, mas o carro-chefe. Os investimentos nela são maiores do que no próprio futebol profissional, seguindo um projeto exclusivo de "fábrica de atletas" desenvolvido internamente. "A base hoje é o nosso carro-chefe. Todos os investimentos passam por ela. Hoje, tudo que o profissional tem, a base tem igual ou superior", destacou Filemon.

Olhando para Fora, Crescendo por Dentro

A busca por conhecimento também faz parte dessa nova fase. Recentemente, o coordenador da base do Fluminense de Feira fez um intercâmbio na Espanha para observar métodos de formação e gestão de atletas. A ideia não é copiar, mas aprender e adaptar à realidade local.

"Entendemos que investir só em estrutura não basta; é preciso investir em conhecimento. Por isso, enviamos o nosso coordenador para a Espanha, para vivenciar outras metodologias, entender como funciona a formação lá fora e trazer isso para a nossa realidade. Não é para copiar ninguém. Nosso projeto é solo, é nosso. Mas você precisa conhecer o que está sendo feito de melhor no mundo para evoluir", pontuou o dirigente.

Resultados e Metas Ambitiosas para 2028

Os primeiros frutos já começam a aparecer. No primeiro ano do projeto, a meta era formar cinco atletas, mas o clube conseguiu oito jogadores que hoje estão em outras equipes. As ambições crescem:

  • Curto prazo: Formar 15 atletas por ciclo.
  • Médio prazo (a partir do 3º ano): Manter uma média de 25 a 30 atletas formados anualmente, seja para negociação com grandes clubes ou para integrar o elenco profissional do Touro.

A expectativa da SAF é que, a partir de 2028, o Fluminense de Feira comece a colher os resultados financeiros e esportivos de forma consistente. "A partir daí, começamos a ter uma entrada anual de valores. Com o projeto rodando dessa forma, o Fluminense será sustentado pela base 100% do tempo", concluiu Filemon Neto, vislumbrando um futuro onde o clube será completamente autossustentável graças ao talento de seus jovens atletas.

Leia também