Uma união que foge do comum no futebol da Bahia tem chamado a atenção: a parceria entre o Fluminense de Feira e o Jequié. Essa colaboração, conduzida pela Sociedade Anônima do Futebol (SAF) do Touro do Sertão, é vista como uma estratégia inteligente para lidar com o calendário esportivo apertado e a intensa competitividade do Campeonato Baiano.
Em entrevista ao Bahia Notícias, o presidente da SAF, Filemon Neto, abriu o jogo e explicou os detalhes dessa gestão compartilhada. A filosofia por trás é simples e direta: o controle total do futebol do Jequié, carinhosamente chamado de Jipão, está nas mãos da gestão do Fluminense de Feira, que fica em Feira de Santana, na Bahia.
Um comando único para o futebol
Desde a escolha dos jogadores até a montagem da comissão técnica, todas as decisões do Jequié passam pelo mesmo núcleo que comanda o Fluminense. “Nós conduzimos 100% do futebol. Não há ninguém do Jequié lá dentro [na tomada de decisão]”, revelou Filemon Neto. Ele deixou claro que não existe divisão de poder ou qualquer tipo de interferência externa no dia a dia esportivo dos dois clubes.
Essa centralização vai além da teoria. Na prática, o Jequié transferiu sua base operacional para Feira de Santana. Assim, utiliza toda a estrutura do Fluminense de Feira para seus treinos e preparação, garantindo um padrão de trabalho unificado, metodologia e acompanhamento diário. A imagem do elenco do Jequié treinando nas dependências do Fluminense de Feira durante a preparação para o Baianão é a prova disso.
Publicidade“O Jequié está treinando em Feira de Santana. Isso não é por acaso; é para garantir padrão de trabalho, metodologia e acompanhamento diário”, frisou Filemon, destacando que essa unificação serve para evitar os improvisos, infelizmente, tão comuns no futebol do nosso estado.
Parceria com prazo definido e sem conflitos
A parceria tem um prazo inicial de um ano. Filemon Neto fez questão de esclarecer um ponto importante: o acordo foi pensado para evitar qualquer tipo de conflito se, hipoteticamente, Fluminense de Feira e Jequié estivessem na mesma divisão do Campeonato Baiano. O modelo não prevê a coexistência dos clubes na mesma série.
“A parceria da gente é de um ano. Terminou, o Jequié segue o caminho dele e o Fluminense segue o caminho dele. Cada um vai para o seu canto”, explicou o dirigente, reforçando que essa clareza nas regras é o que garante o sucesso da iniciativa.
Mesmo reconhecendo que o modelo pode parecer estranho por fugir das parcerias tradicionais, Filemon defendeu que o Jequié não perde sua identidade. Pelo contrário, essa é uma alternativa estratégica para o clube manter sua competitividade, especialmente diante das limitações financeiras que muitos times enfrentam.
Ambição e um futebol mais profissional
Apesar de inovadora, Filemon garantiu que o projeto não é um experimento. O objetivo é claro: ser competitivo com ambos os clubes. Ele acredita que o elenco atual é o mais forte desde a criação da SAF do Fluminense de Feira e que a camisa do clube, por si só, já impõe uma busca constante por bons resultados.
Refletindo sobre os acessos que não vieram nas últimas duas campanhas da Série B do Campeonato Baiano, o presidente da SAF fez uma análise realista: “Nem sempre o melhor vence. Isso é o que torna o futebol maravilhoso.”
Ao centralizar a tomada de decisões e otimizar o calendário dos times, a SAF do Fluminense de Feira aposta que essa parceria com o Jequié vai trazer um ganho competitivo imediato. É um passo importante na profissionalização do futebol do interior, com a meta de se aproximar cada vez mais do nível de competitividade dos grandes clubes da capital, como a dupla Ba-Vi.
“Futebol é processo. E processo exige convicção”, concluiu Filemon Neto, mostrando a firmeza da visão por trás dessa união estratégica.







