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Fábio Mota revela que Grêmio deve até US$ 3 milhões ao Vitória e não fecha porta para volta de Wagner Leonardo

Presidente do Vitória explicou por que ainda não acionou a CNRD e disse que aguarda nova agência de fiscalização do futebol brasileiro para cobrar a dívida

Redação ChicoSabeTudoRedação · Esportes
08 de junho, 2026 · 19:25 3 min de leitura
Presidente Fábio Mota durante entrevista coletiva do Vitória
Presidente Fábio Mota durante entrevista coletiva do Vitória

O presidente do Vitória, Fábio Mota, falou abertamente sobre a dívida que o Grêmio mantém com o clube baiano pela contratação do zagueiro Wagner Leonardo. Em entrevista ao canal Resenha do Leão, o dirigente revelou que uma parcela venceu em 30 de março deste ano e não foi paga, e que uma segunda parcela tem vencimento previsto para 30 de agosto.

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Mota colocou um número concreto na mesa. Segundo ele, o total devido pelo clube gaúcho chega a cerca de três milhões de dólares — algo em torno de R$ 16 ou R$ 17 milhões na cotação atual. A informação converge com dados já divulgados por dirigentes do Vitória em momentos anteriores: em maio, o diretor de futebol Sérgio Papellin havia afirmado publicamente que o Grêmio devia ao Rubro-Negro aproximadamente US$ 2,5 milhões pela negociação do defensor.

O presidente explicou por que o Vitória ainda não entrou com ação na CNRD (Câmara Nacional de Resolução de Disputas). O problema, segundo ele, é o tempo que o órgão leva para processar as cobranças. Por isso, a diretoria decidiu aguardar a entrada em vigor de um instrumento mais ágil e com poder de punição maior.

Esse instrumento é a Agência Nacional de Regulação e Sustentabilidade do Futebol (ANRESF), criada pela CBF dentro do novo Sistema de Sustentabilidade Financeira do futebol brasileiro. O conjunto de normas entrou em vigor em 1º de janeiro de 2026 e inaugura um órgão próprio de monitoramento, a ANRESF. Entre as penalidades possíveis para clubes que descumprirem as regras estão advertência pública, multas, retenção de receitas, transfer ban, dedução de pontos e rebaixamento.

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O ponto central da estratégia do Vitória está em um detalhe do calendário regulatório. A agência pode ser acionada diretamente por atletas ou clubes em caso de atraso, mas os débitos acumulados antes de 2026 só passarão a ser considerados a partir de 30 de novembro de 2026. É exatamente essa data que Fábio Mota tem no horizonte para acionar a cobrança com mais força.

Sobre um possível retorno de Wagner Leonardo ao Barradão, Mota não descartou a hipótese, mas reconheceu o obstáculo. Segundo ele, o fato de o Grêmio não estar quitando os valores devidos ao Vitória complica qualquer negociação futura envolvendo o jogador. O clube baiano conta com esse dinheiro para honrar seus próprios compromissos financeiros, o que torna a situação ainda mais delicada.

Wagner Leonardo foi a maior venda da história do Vitória. O zagueiro se tornou a venda mais cara da história do clube, com negociação que girou em torno de R$ 26 milhões. Apesar disso, o jogador deixou sua marca no Vitória entre 2023 e 2025, sendo peça-chave na conquista da Série B e na permanência na elite, mas sua saída gerou descontentamento entre os torcedores.

Dentro de campo, o defensor também enfrenta momento turbulento em Porto Alegre. Apesar de ter começado 2026 como peça importante do sistema defensivo do Grêmio, nas últimas semanas perdeu espaço com o crescimento de Viery e Gustavo Martins, enquanto o treinador passou a utilizar formações com três zagueiros, aumentando a concorrência interna.

A situação financeira do Grêmio com o Vitória segue sem solução à vista. Com a nova legislação do futebol brasileiro prestes a entrar em fase de fiscalização mais rigorosa, o Rubro-Negro baiano tem um prazo — e um instrumento — para pressionar o clube gaúcho a regularizar os pagamentos antes que a fatura chegue de forma ainda mais pesada.

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