Com Alejo Véliz regularizado no BID da CBF e disponível para entrar em campo, o técnico Rogério Ceni foi além da simples apresentação do novo camisa 9 do Bahia. Em coletiva realizada após a vitória sobre a Chapecoense, por 2 a 0, na Arena Fonte Nova, o treinador traçou um perfil detalhado do argentino e deixou no ar uma possibilidade tática que anima a torcida tricolor: escalar dois centroavantes ao mesmo tempo.
Para Ceni, a ideia não é descabida. O treinador detalhou que Alejo Véliz é um centroavante de área, com pouca habilidade com a bola nos pés — característica que o diferencia justamente de Willian José, habitual referência ofensiva do Esquadrão. Segundo o técnico, essa diferença de estilo é o que torna viável a parceria.
Alejo Véliz é um centroavante de referência, com boa estatura, força física e capacidade de jogar de costas para o gol, cujo estilo favorece equipes que exploram os lados do campo, já que se destaca no jogo aéreo e na ocupação da área. Willian José, por sua vez, possui mobilidade maior, participando da construção fora da grande área — o que o torna complementar ao argentino.
Na visão do treinador, essa combinação pode ser especialmente útil em jogos na Fonte Nova. A ideia seria ter um atacante mais fixo dentro da área enquanto o outro flutua e participa da armação das jogadas, ampliando o poder de jogo aéreo do time. Segundo informações divulgadas pelo A Tarde, Ceni afirmou que é possível usar "dois noves" em determinadas situações, com "uma combinação de um jogador flutuando e outro entrando na área".
Em suas primeiras palavras como jogador do Bahia, o próprio Alejo destacou que se define como um centroavante de área e que busca espaços para ser efetivo no momento da finalização. O argentino também revelou que gosta de estar dentro da área e buscar passes para outros atacantes, além de se posicionar atrás dos zagueiros, correndo entre as linhas.
A urgência por uma solução ofensiva tem razão de ser. A soma de gols dos três centroavantes principais de Ceni em 2026 — Willian José (8), Everaldo (7) e Alejo Véliz (6 pelo Rosario Central) — totaliza 21 tentos. O número reflete a baixa produção dos atacantes de beirada do elenco, que até agora não assumiram protagonismo na temporada.
Na negociação, o Bahia acertou um pagamento de aproximadamente R$ 56 milhões ao Tottenham pela aquisição do argentino, identificado pelo Bahia SAF como uma contratação estratégica pensando não só em 2026, mas a médio e longo prazo. O contrato assinado tem validade até dezembro de 2031.
Com 22 anos, Alejo tem uma carreira com passagem por três clubes europeus — foi comprado por 15 milhões de euros pelo Tottenham em 2023, mas não conseguiu destaque no clube inglês. Entre 2024 e 2025, o argentino foi emprestado ao futebol espanhol, atuando pelo Sevilla e pelo Espanyol, antes de retornar ao Rosario Central. Agora, chega ao Bahia com a missão de ser o "9 de último toque", como o próprio Ceni o definiu.







