Fábio Mota, presidente do Esporte Clube Vitória, está de olho na reeleição para comandar o clube no triênio 2026/2028. Liderando a chapa 'Leão Colossal' neste sábado, ele aproveitou para compartilhar um balanço detalhado de sua gestão com o programa Segue o Baba, do GE. Mota, que assumiu o comando interinamente em outubro de 2021 e foi eleito oficialmente em setembro de 2022, relembra os desafios e as grandes conquistas que marcaram sua passagem pelo Leão.
O Saldo de Uma Gestão de Reconstrução
Mota descreve os últimos anos como um período de dedicação intensa e trabalho árduo para tirar o Vitória de uma situação crítica. “Foram quatro anos de muito trabalho, quatro anos em que eu larguei minha vida para me dedicar exclusivamente ao Vitória. Quatro anos em que cheguei sete horas da manhã e não tive hora para sair,” ele conta, lembrando que encontrou o clube em sua pior fase histórica.
“Nós encontramos o Vitória em sua pior fase da história do clube. Não só esportivamente, que estava na Série C, mas com relação às dívidas, devendo R$ 600 milhões, seis meses de salários atrasados, patrimônio todo deteriorado, a base acabada, até o título de formador nós perdemos. Não tinha alimentação, não tinha bola para treinar. Foi assim que nós encontramos o Vitória em 2022.”
A situação era desoladora: dívidas gigantescas, salários atrasados e uma infraestrutura esportiva e física em ruínas. A base, que sempre foi um pilar do clube, estava desmantelada, sem as condições mínimas para formar novos talentos.
Da Série C ao Brilho na Série A e Além
Com uma equipe engajada, Fábio Mota focou na reconstrução. O resultado no campo foi impressionante. O clube conseguiu deixar a Série C, subiu para a Série B e se sagrou campeão, garantindo o acesso à elite do futebol brasileiro. Agora, o Vitória se prepara para disputar sua terceira Série A consecutiva, um feito raro na história recente do Leão. Além disso, o time voltou a conquistar o Campeonato Baiano após seis anos sem chegar à final e participou da Copa Sul-Americana, marcando o retorno do clube ao cenário internacional.
Para Mota, o apoio da torcida foi fundamental nesse processo. “Quando eu cheguei no Vitória, a gente tinha 4 mil sócios e média de público de 3.500. Apresentamos um projeto, a torcida abraçou o projeto, e são quatro anos galgando degraus. Como é uma reconstrução, o sucesso foi muito rápido. Saímos da Série C muito rápido para a Sul-Americana e para a Série A,” celebra o presidente.
Investimento em Estrutura e Base para o Futuro
Apesar dos avanços, Mota reconhece que o caminho não foi isento de dificuldades. “Evidentemente que nesse percurso tiveram uma série de erros. Erros em função da falta de grana,” explica, detalhando que, além da folha de pagamento atual, o clube ainda precisa arcar com as dívidas históricas. Mesmo com a redução, o passivo ainda é considerável, limitando o investimento.
Mesmo com recursos limitados, a gestão focou em reestruturar a base e o patrimônio do clube. A divisão de base, que antes contava com seis campos sem drenagem e iluminação, agora tem 12, com gramados refeitos, infraestrutura completa, campos iluminados e até um sintético exclusivo. A grande estrela dessa revitalização é a Academia do Leão, um complexo moderno com bar temático, quadras de beach tênis e futevôlei, campo oficial de competição e um prédio de vestiário, que visa atrair e desenvolver jovens talentos e também gerar receita para a própria base.
O Estádio Manoel Barradas, o Barradão, também passou por uma transformação. O gramado, que estava em condições precárias, foi totalmente refeito. A iluminação agora é de LED, os alambrados foram trocados e foi instalado um posto médico. Melhorias na alimentação e no plano de sócios foram implementadas, e o prédio central ganhou 20 camarotes, cujas receitas são reinvestidas na base. Refeitórios foram construídos para os funcionários, que antes tomavam café na sala de imprensa, que também foi modernizada. A TV Vitória, que existia apenas no nome, foi implementada, transmitindo todos os esportes do clube, incluindo a base, vôlei e basquete.
Crescimento Comercial e Pioneirismo no Futebol Feminino
No setor comercial, o Vitória também deu um salto. De uma única loja que faturava R$ 200 mil por mês, o clube expandiu para oito unidades e em breve inaugurará a nona no Outlet de Camaçari, na Bahia. A frota foi modernizada, com a aquisição de um ônibus novo, considerado um dos melhores do país. A concentração dos jogadores foi ampliada e reformada, oferecendo quartos individuais e maior conforto.
Um dos projetos mais ambiciosos e inovadores é a construção do primeiro Centro de Treinamento Feminino do Brasil, com entrega prevista para março. Com mais de 60% das obras já concluídas, o CT terá um prédio completo com fisiologia, fisioterapia, departamento médico, refeitório e alojamento exclusivos para as atletas, além de um miniestádio com capacidade para 2 mil pessoas e dois campos oficiais adicionais para a base.
“Enfim, foram quatro anos de muito trabalho, de reconstrução, de triplicar o patrimônio do clube, de dar dignidade ao torcedor do Vitória. De ter três séries A seguidas. O Vitória, hoje, é uma instituição respeitada no Brasil e no mundo. É uma instituição que paga suas obrigações. São quatro anos de salários em dia ou antecipados para jogadores e funcionários. O Vitória, hoje, é infinitamente superior ao que eu recebi em 2022,” conclui Fábio Mota, reforçando o compromisso com a transformação do Leão.
A gestão de Fábio Mota, focada em reestruturação e profissionalização, transformou a realidade do Vitória, que agora se posiciona como um clube financeiramente estável e com ambições esportivas renovadas, pagando salários em dia e investindo pesado no futuro.







