Mais de um ano depois de perder o braço direito em um acidente com brinquedo em Salvador, o jovem Andrei Peroba ainda não conseguiu se aposentar por invalidez e segue sobrevivendo com trabalhos informais. A declaração foi dada por ele nesta quarta-feira, 8, antes de audiência de instrução criminal do caso no Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA).
"Continuo vivendo de bico. E agora a situação complicou mais ainda, porque não consegui me aposentar", disse Andrei ao portal A TARDE, segundo informações divulgadas pelo veículo. A frase sintetiza a realidade enfrentada pelo jovem desde que o brinquedo tipo pêndulo chamado "Intoxx" despencou no Campo da Pronaica, no bairro Cajazeiras 10, em 15 de fevereiro de 2024.
Naquele dia, Andrei havia saído do trabalho e estava no parque com a irmã de 17 anos e a prima de nove, quando o equipamento estilo pêndulo despencou e atingiu o chão. Ele teve o braço esmagado e foi socorrido pelo Corpo de Bombeiros, sendo levado em estado grave ao Hospital Geral do Estado (HGE), onde precisou ficar internado e entubado.
O laudo do Departamento de Polícia Técnica (DPT) da Bahia constatou a ausência de revisão do brinquedo por parte do proprietário e apontou falha nos sensores de fim de curso, que controlavam a altura da lança móvel do equipamento e não acionaram a parada de segurança.
Além da ausência do benefício previdenciário, Andrei também cobra o cumprimento de uma decisão judicial que determinou o fornecimento de uma prótese mecânica. Segundo ele, a liminar foi dada, mas ainda não foi cumprida. "Pela minha convicção e pela minha fé em Deus, acho que esse caso já deveria ter sido resolvido", afirmou, de acordo com informações divulgadas pelo portal A TARDE.
Em audiência realizada em março deste ano no TJ-BA, foi firmado um acordo que estabelece o pagamento de cinco salários mínimos, parcelados em três vezes, entre o Ministério Público da Bahia, a Justiça e os responsáveis pelo parque, encerrando a parte criminal do caso. Inicialmente, a proposta era de 20 salários mínimos, mas os réus alegaram não ter condições de pagar o valor.
O advogado Bruno Moura esclareceu, contudo, que esse montante não tem relação direta com Andrei. Segundo ele, trata-se de uma transação penal — acordo entre acusados e a Justiça que evita o prosseguimento da ação penal — e o valor determinado foi destinado a uma instituição de caridade, não à vítima. "O Andrei não recebeu um centavo desse valor", ressaltou o defensor, conforme informações divulgadas pelo portal A TARDE.
Além da indenização, Andrei também pede na Justiça o custeio de uma prótese mecânica e compensações por danos estéticos e perda de renda. O caso segue com frentes criminal e civil em andamento.
Em entrevista concedida em agosto de 2024, seis meses após o acidente, Andrei já relatava dificuldades diárias, o impacto da perda do braço em sua rotina e a falta de assistência dos responsáveis pelo parque. Quase um ano e meio depois, o cenário, segundo ele próprio, só piorou.







