A chegada da Inteligência Artificial (IA) ao mercado de trabalho já é uma realidade amarga para os jovens brasileiros. De acordo com um estudo recente do FGV Ibre, quem tem entre 18 e 29 anos e trabalha em áreas muito ligadas à tecnologia tem 5% menos chance de estar empregado hoje do que teria se a IA não existisse.
Além da dificuldade de conseguir uma vaga, o bolso também sentiu o golpe. O levantamento aponta que a renda desses profissionais mais expostos à tecnologia caiu cerca de 7%. Os dados foram analisados com base na Pnad Contínua do IBGE, comparando o cenário de 2022, antes da explosão do ChatGPT, com os dias atuais.
O pesquisador Daniel Duque explica que o problema atinge em cheio quem está começando a carreira. Isso acontece porque a IA é muito eficiente em tarefas básicas, administrativas e burocráticas, que são justamente as portas de entrada para os jovens no primeiro emprego.
Enquanto os novatos sofrem, os trabalhadores mais velhos seguem mais protegidos. O estudo mostra que, para quem já tem experiência, o impacto é quase nulo. A explicação é simples: cargos mais altos exigem tomada de decisão e liderança, funções que a tecnologia ainda não consegue substituir com perfeição.
Setores como serviços financeiros e de informação são os que mais apresentam essa troca de humanos por máquinas. No Brasil, estima-se que 30 milhões de pessoas trabalham em funções que sofrem algum tipo de influência da IA generativa, o que representa quase 30% de todos os ocupados no país.
Apesar do alerta, os especialistas pedem cautela, já que o uso dessas ferramentas ainda é novo. No entanto, a tendência é preocupante: com a tecnologia fazendo o trabalho de base de forma mais barata, o valor das tarefas padronizadas despenca, dificultando a vida de quem busca a primeira oportunidade na carteira assinada.







