A inteligência artificial (IA) tem ganhado os noticiários por seu potencial transformador, mas nem sempre para o bem. Segundo a Morningstar, uma respeitada empresa de serviços financeiros e análise de investimentos, muitas companhias estão usando a IA como uma desculpa "moderna" para demitir funcionários em massa e cortar custos.
Em vez de aproveitar a tecnologia para impulsionar a produtividade e criar novas funções, realocando talentos, o foco tem sido puramente na redução de despesas. A Morningstar aponta que o mercado financeiro, por exemplo, parece valorizar mais o potencial da IA em eliminar gastos do que sua verdadeira capacidade de gerar novos negócios e inovação.
Essa tendência, já apelidada de “AI scare trade”, ou "comércio do medo da IA", tem provocado uma certa instabilidade no setor de tecnologia e mudado o jeito como os investidores se comportam. Curiosamente, quando uma empresa anuncia cortes de pessoal ligados à automação, o mercado costuma reagir de forma positiva, impulsionando o valor das ações.
Um exemplo recente e claro veio da Wisetech Global Ltd., que revelou planos para cortar cerca de dois mil cargos, o que representa 30% de sua força de trabalho. Outro caso que chamou a atenção foi o da Block, empresa do ex-CEO do Twitter, que anunciou uma redução de mais de 40% em sua equipe. O resultado imediato? As ações da Wisetech subiram 11%, e as da Block deram um salto ainda maior, de 23%, conforme dados da Bloomberg.
Lochlan Halloway, analista da Morningstar, observa que esses movimentos mostram o entusiasmo dos investidores com a ideia de economias imediatas que a automação pode trazer. No entanto, a consultoria faz um alerta importante: existe o risco dessas empresas estarem apenas usando a IA como uma "capa" sofisticada para justificar demissões que, no fundo, seriam consideradas cortes comuns.
Para a Morningstar, o verdadeiro potencial da inteligência artificial não está em substituir pessoas, mas em ser uma ferramenta poderosa para inovar. A visão da empresa é que as gigantes da tecnologia deveriam usar a IA para desenvolver novas ferramentas e criar funções de trabalho que, hoje, talvez nem consigamos imaginar, abrindo caminhos para um futuro com mais oportunidades, e não menos.







