Grandes empresas globais, como Lufthansa, ING e a sul-coreana Krafton, começaram a associar a inteligência artificial (IA) a cortes de empregos e a paralisia nas contratações. Essa abordagem foi reportada recentemente por uma matéria da Bloomberg, destacando a mudança na narrativa corporativa em relação à tecnologia.
As declarações dos executivos refletem uma busca por ganhos de eficiência, permitindo que as companhias operem com menos funcionários. Um estudo da consultoria Challenger, Gray & Christmas revelou que, somente nos Estados Unidos, mais de 48 mil demissões foram atribuídas à implementação de sistemas de IA em 2023, incluindo 31 mil só em outubro.
A crescente adoção de IA não passou despercebida por autoridades, como o presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, que levantou questões sobre o real impacto da tecnologia no mercado de trabalho. Além disso, empresas como Amazon, Microsoft e Oracle têm investido em tecnologia ao mesmo tempo em que implementam cortes de custos.
Embora não todas as demissões sejam diretamente atribuídas à IA, a expectativa em novas contratações se transformou. Companhias, como a Shopify, estão exigindo justificativas para não utilizar IA antes de aprovar novas vagas, enquanto a ServiceNow anunciou a automatização de funções consideradas “desmotivadoras”. Essa mudança nos critérios de contratação destaca a crescente pressão para que as áreas demonstrem a necessidade de colaboradores humanos em face da tecnologia.
Analistas estimam que a tendência de redução de empregos devido à IA deve persistir, com projeções do Goldman Sachs sugerindo que empresas podem cortar até 11% de seus quadros nos próximos três anos. Essa atmosfera reflete uma transformação significativa nas dinâmicas de trabalho, levando a um debate em torno do horizonte profissional no setor tecnológico.







