O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) apresentou uma emenda oficial para tentar mudar o projeto que prevê o fim da jornada de trabalho 6x1. A ideia do parlamentar é obrigar o governo federal a arcar com os custos dessa mudança, servindo como uma compensação financeira para as empresas.
Para Nikolas, embora a redução da escala tenha um lado social positivo para o descanso do trabalhador, o custo não pode ser empurrado apenas para o setor produtivo. Ele defende que, sem um auxílio como a desoneração da folha de pagamento, o resultado imediato pode ser o aumento do desemprego e da informalidade.
O setor produtivo também está em alerta. Entidades como a CNI e a CNC demonstram preocupação com o impacto financeiro. Um estudo da Confederação Nacional do Transporte (CNT) estima que, apenas no setor de transportes, o prejuízo a longo prazo pode chegar a R$ 11,88 bilhões.
Apesar da pressão da oposição e dos empresários, o governo Lula já sinalizou que não pretende abrir mão de impostos. O ministro das Relações Institucionais, José Guimarães, afirmou categoricamente que o país não suporta novas desonerações e que o governo não pode continuar renunciando a receitas bilionárias.
Como alternativa, o governo estuda um modelo de transição gradual, inspirado no que foi feito no Chile. Lá, a redução da carga horária de 44 para 40 horas semanais foi planejada para ser implementada por etapas, com prazo final até 2027.
Enquanto o debate segue em Brasília, o foco da discussão agora é encontrar um equilíbrio entre o benefício social para quem trabalha e a sobrevivência financeira de pequenos e grandes negócios, que alegam precisar contratar mais gente para cobrir as folgas.







