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Crise no Carcará: atletas cercam residência do presidente e ouvem ameaça ao cobrar meses de salário

Vídeo registra jogadores do Atlético de Alagoinhas na porta do condomínio de Albino Leite; dívida só com elenco pode superar R$ 150 mil, segundo documentos internos do clube

Redação ChicoSabeTudoRedação · Emprego
08 de junho, 2026 · 22:28 3 min de leitura
Estádio do Atlético de Alagoinhas, o Carneirão, visto de fora
Estádio do Atlético de Alagoinhas, o Carneirão, visto de fora

Um vídeo que circulou nas redes sociais nesta segunda-feira (8) mostrou jogadores do Atlético de Alagoinhas reunidos em frente ao condomínio do presidente do clube, Albino Leite, para cobrar salários atrasados acumulados nos últimos meses. A cena elevou o tom da crise financeira que envolve o Carcará e expôs ao público uma situação que já durava semanas dentro dos bastidores do clube.

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Nas imagens, um homem é visto conversando com Leite por telefone e questionando o destino de valores recebidos pelo clube pela participação na Série D do Campeonato Brasileiro. Segundo informações divulgadas pelo Bahia Notícias, o presidente teria reagido de forma rispida e chegado a afirmar, em tom de ameaça, que os jogadores estariam "entrando em problema" ao procurá-lo em casa.

Documentos que circulam entre os atletas indicam que a dívida referente apenas ao elenco se aproxima dos R$ 150 mil. A planilha salarial apontaria valores superiores a R$ 122 mil em vencimentos, mas fontes ligadas ao clube informam que o montante total é ainda maior quando se somam outros compromissos pendentes. Nem o presidente Albino Leite nem a TLS Sports responderam até o momento.

A crise não para no elenco. Quando incluídos funcionários administrativos, membros da comissão técnica e outros colaboradores, o rombo financeiro do Atlético de Alagoinhas se torna consideravelmente maior, segundo as mesmas fontes.

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O episódio desta semana não é o primeiro sinal de alerta. O Ministério Público do Estado da Bahia (MP-BA) recebeu, em janeiro deste ano, uma denúncia narrando supostas fraudes trabalhistas contra a Sociedade Anônima do Futebol (SAF) do Atlético de Alagoinhas, incluindo simulação de acordos judiciais, possíveis desvios de recursos e ausência de transparência nas operações da empresa.

A denúncia sugere a existência de um esquema que teria prejudicado tanto funcionários, com questões trabalhistas, quanto o patrimônio da própria SAF. O MP-BA afirmou que "os fatos serão devidamente apurados para adoção de todas as medidas pertinentes". Na época, Albino Leite negou as irregularidades e atribuiu a denúncia a adversários políticos internos do clube.

O modelo de gestão da SAF foi anunciado em setembro de 2025. O Atlético de Alagoinhas anunciou a transformação em Sociedade Anônima do Futebol e confirmou a venda de 90% de suas ações para o grupo TLS Sports, em um acordo que previa aporte inicial de R$ 20 milhões, podendo alcançar R$ 60 milhões. A promessa era de modernização e profissionalização. A realidade de 2026, até agora, ficou bem aquém disso.

Dentro de campo, o cenário não é menos preocupante. Segundo informações do Bahia Notícias, o Carcará soma apenas 5 pontos em 9 jogos na Série D de 2026 — com apenas uma vitória, dois empates e seis derrotas —, já está matematicamente eliminado e terminará a fase de grupos na lanterna de sua chave. O clube também amargou o último lugar no Campeonato Baiano de 2026, sem vencer nenhuma das 10 partidas disputadas, e acabou rebaixado para a Série B do estadual.

O Atlético de Alagoinhas e a TLS Sports não se manifestaram até o fechamento desta reportagem.

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