O presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou, em cerimônia no Palácio do Planalto, em Brasília, um reajuste nos valores do Bolsa Família. O anúncio foi feito em 17 de setembro de 2026, 17 dias antes do primeiro turno das eleições presidenciais, marcado para 4 de outubro.
Pelo novo cálculo, o piso do benefício passa de R$ 600 para R$ 691. O valor médio pago pelo programa sobe de R$ 675 para R$ 777. A mudança foi formalizada pelo Decreto nº 13.120, publicado em edição extra do Diário Oficial da União, segundo o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS).
Segundo o ministro do Planejamento e Orçamento, Bruno Moretti, o reajuste de 15,04% corresponde à recomposição da inflação medida pelo INPC. O MDS detalha que o índice considerado é o acumulado entre março de 2023 e agosto de 2026. "O que nós apuramos, a inflação, é que o INPC desde o início do programa até o mês de agosto, o último índice apurado, é de 15%. Ou 15,04%, para ser preciso", afirmou Moretti.
Outros valores do programa também foram atualizados. O Benefício de Renda de Cidadania passa de R$ 142 para R$ 164 por integrante da família. O Benefício Primeira Infância, pago para crianças de até seis anos, sobe de R$ 150 para R$ 173. Já o Benefício Variável Familiar, destinado a gestantes, bebês de até seis meses e crianças e adolescentes entre sete e 18 anos incompletos, passa de R$ 50 para R$ 58.
Os novos valores entram na folha de pagamentos de outubro. Segundo o MDS e a Reuters, o dinheiro estará disponível aos beneficiários a partir de 19 de outubro de 2026, conforme o calendário do programa.
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que o reajuste foi calculado com "responsabilidade fiscal" e será incorporado ao Orçamento sem impacto abrupto. "Em outros tempos se fez 'PEC Kamikaze', crédito extraordinário para além do que se estava previsto. E, com o compromisso de garantir regras e instituições, estamos incorporando o reajuste no Orçamento, sem solavanco", disse o ministro.
O impacto fiscal da medida é de R$ 5,8 bilhões em 2026 e a previsão é de custo de R$ 22 bilhões em 2027. Parte da despesa deste ano será acomodada por meio de revisão de despesas previdenciárias e do remanejamento de recursos, segundo Moretti, incluindo economia obtida com a redução da fila do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). O governo também vai ajustar o projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) enviado ao Congresso Nacional, que não previa o aumento.
O piso de R$ 600 estava em vigor desde 2022, quando o então presidente Jair Bolsonaro elevou o valor de R$ 400 para R$ 600, por meio de uma Proposta de Emenda à Constituição, em contexto eleitoral. Na época, o programa havia sido renomeado para Auxílio Brasil. Com a posse de Lula em 2023, o nome Bolsa Família voltou a ser usado, mas o piso de R$ 600 foi mantido até agora — este é o primeiro reajuste do valor mínimo no atual mandato do petista.
O benefício é pago pela Caixa Econômica Federal a famílias inscritas no Cadastro Único com renda mensal de até R$ 218 por pessoa. O programa, criado em 2003, é destinado a famílias em situação de pobreza em todo o país. Os novos valores valem para beneficiários de todas as regiões do Brasil, incluindo o Nordeste, a partir da folha de pagamentos de outubro.







