Última hora
Publicidade
PMPA - 6175
Cultura

Tudo pronto em Serrita: 56ª Missa do Vaqueiro acontece neste domingo no berço de uma lenda sertaneja

O Parque João Câncio, no Sítio Lajes, recebe no dia 26 de julho uma das maiores celebrações culturais e religiosas do Nordeste, com aboios, procissão e artistas regionais.

Redação ChicoSabeTudo
22 de julho, 2026 · 13:08 3 min de leitura
Vaqueiros a cavalo em procissão na Missa do Vaqueiro de Serrita, Pernambuco
Vaqueiros a cavalo em procissão na Missa do Vaqueiro de Serrita, Pernambuco

O Parque João Câncio, no Sítio Lajes, zona rural de Serrita, no Sertão Central de Pernambuco, está com a estrutura praticamente concluída para receber a 56ª edição da Missa do Vaqueiro neste domingo, dia 26 de julho. O município fica a cerca de 540 quilômetros do Recife, mas atrai visitantes de todo o Brasil para o que é considerada a maior e mais tradicional celebração dedicada aos vaqueiros do Nordeste brasileiro.

Publicidade

As atividades religiosas e culturais começam às 8h e seguem até o meio-dia, no altar do Parque João Câncio. A celebração será presidida pelo padre Pedro Sérgio, da Paróquia de Bodocó, com a participação de sacerdotes convidados. A estimativa dos organizadores indica o fluxo de milhares de vaqueiros montados oriundos de diversos estados da federação brasileira, além de contingentes expressivos de turistas e romeiros.

De acordo com a tradição, o início da celebração é dado com uma procissão de mil vaqueiros a cavalo, que levam, em honras a Raimundo Jacó, oferendas — como chapéu de couro, chicotes e berrantes — ao altar de pedra rústica em formato de ferradura. O aboio, canto tradicional utilizado pelos vaqueiros na condução do gado, é uma das marcas mais importantes da celebração e da identidade cultural sertaneja.

A celebração teve origem a partir da comoção causada pelo assassinato impune do vaqueiro Raimundo Jacó, encontrado morto em julho de 1954 no sítio Lages. Raimundo Jacó era primo de Luiz Gonzaga e se destacou através de feitos que despertaram a admiração de muitos e a inveja de outros, entre eles Miguel Lopes, com quem passou a ter uma rixa. O fiel companheiro do vaqueiro na aboiada, um cachorro, velou o corpo do dono dia e noite, até morrer de fome e sede.

Publicidade

Gonzaga se juntou a João Câncio dos Santos — padre que, ao ver a pobreza e as injustiças cometidas contra os sertanejos, passou a pregar a palavra de Deus vestido de gibão — para fazer do caso de Jacó o mote para o ofício do vaqueiro e para a celebração da coragem. Com o auxílio do cantor Luiz Gonzaga e do repentista Pedro Bandeira, foi realizada a primeira missa em 19 de julho de 1970.

Reconhecida como Patrimônio Cultural Imaterial de Pernambuco, a missa mantém seu significado simbólico ao homenagear o vaqueiro Raimundo Jacó e reafirmar o papel dos vaqueiros na formação do semiárido. Ao longo de mais de cinco décadas, a Missa do Vaqueiro de Serrita tornou-se referência para encontros semelhantes realizados em outros estados.

A edição de 2026 tem um simbolismo extra: a 56ª edição chega sob um novo cenário de entendimento institucional entre a Fundação Padre João Câncio e a Prefeitura de Serrita, após ruídos e desencontros em edições anteriores, com divisão clara de responsabilidades e expectativa de uma edição marcada pela organização e pelo respeito mútuo. Pelo acordo, a Prefeitura ficará responsável pela promoção dos shows artísticos, da vaquejada e da pega de boi, que acontecem entre os dias 23 e 25 de julho.

Publicidade

Entre as atrações confirmadas estão Flávio Leandro, Daniel Gonzaga, Fábio Carneirinho, Sarah Leandro, Quinteto Violado e o Coral Aboios de Serrita, artistas que mantêm viva a essência da música nordestina. Helena Câncio, presidente da Fundação Padre João Câncio, resume o espírito do evento: "A Missa foi criada para homenagear o vaqueiro, sua fé, sua coragem e sua importância para a formação do Sertão. Chegar à 56ª edição mantendo essa essência é uma responsabilidade e também uma grande emoção."

Publicidade

Leia também