A repercussão da série “Tremembé”, do Prime Video, levou Sandra Regina Ruiz Gomes, conhecida como Sandrão, a revisitar publicamente o período em que conviveu e se relacionou com Elize Matsunaga e Suzane von Richthofen na Penitenciária Feminina de Tremembé, em São Paulo.
Em entrevista ao programa Domingo Espetacular, da Record, conduzida pelo jornalista Roberto Cabrini, Sandrão relatou detalhes do cotidiano com as duas detentas mais famosas da unidade, comentou os romances que viveu na prisão e contestou a forma como foi retratada na produção de streaming, que se baseia em livros do jornalista Ulisses Campbell sobre casos de grande repercussão criminal no país.
A entrevista também repercutiu em diversos portais de notícias e sites de entretenimento, ampliando o debate sobre a série e sobre a trajetória dos envolvidos na vida pós-cárcere.
Quem é Sandrão e qual foi o crime que a levou a Tremembé
Sandra Regina Ruiz Gomes ficou conhecida nacionalmente como Sandrão após cumprir pena no complexo prisional de Tremembé e se envolver amorosamente com Suzane von Richthofen e Elize Matsunaga.
Ela foi condenada em 2003 a 27 anos de prisão pelo sequestro e morte do adolescente Tallisson, então com 14 anos, em Mogi das Cruzes (SP). De acordo com o processo, ela e o então namorado participaram do sequestro do jovem, mantido em cativeiro enquanto a família negociava o pagamento do resgate. O caso envolveu ligações de extorsão e um plano inicial para usar o dinheiro em viagem e compra de um carro, segundo relatam reportagens de bastidores sobre o caso e o julgamento.
Tallisson foi encontrado morto com um tiro na cabeça após o pagamento de parte do resgate. O disparo, segundo o processo, foi efetuado por um comparsa menor de idade. O tribunal apontou Sandrão como participante do sequestro e das negociações, mas não como a autora do tiro. Na entrevista, ela reconhece que participou do crime, mas nega ter executado ou ordenado a morte do adolescente, afirmando que a Justiça entendeu que ela “fazia parte” do esquema criminoso, mas não teria sido responsável direta pela execução.
Após agredir um agente penitenciário em outra unidade, Sandrão foi transferida para a Penitenciária Feminina de Tremembé, conhecida como “presídio dos famosos”. Lá, passou a dividir espaço com figuras centrais de casos de grande repercussão, como Suzane von Richthofen e Elize Matsunaga.
Nos últimos anos, ela progrediu de regime, passou pelo semiaberto e hoje responde em liberdade condicional, em endereço mantido em sigilo, segundo reportagens que acompanharam sua saída gradual do sistema prisional.
Convivência com Elize Matsunaga: amizade, romance e medo de “mancada”
Na entrevista a Cabrini e em declarações reproduzidas por outros veículos, Sandrão relatou que o envolvimento com Elize Matsunaga começou a partir de uma amizade dentro da prisão. Com o tempo, a proximidade teria evoluído para um relacionamento amoroso, em um contexto de convivência intensa na unidade.
Apesar da amizade, ela admite que vivia com receio de um eventual descontrole da companheira, em razão do histórico criminal de Elize. Ao falar sobre essa sensação, ela descreveu o pensamento que tinha à época: se “desse mancada” com Elize, poderia “estar ferrada”, em referência ao medo de que a companheira pudesse reagir de forma semelhante ao episódio que resultou na morte do marido.
A percepção de arrependimento também surgiu nas conversas. Sandrão afirma que, em diálogos dentro da prisão, Elize demonstrava pesar ao revisitar o passado, o que a levou a acreditar que a ex-detenta tinha dificuldades maiores para lidar com o crime do que outras internas.
O caso Elize Matsunaga
Elize Matsunaga foi condenada por matar e esquartejar o marido, Marcos Kitano Matsunaga, executivo da Yoki, em 2012. O júri estabeleceu a pena em 19 anos, 11 meses e 1 dia de prisão, em regime fechado, pelos crimes de homicídio qualificado e ocultação de cadáver.
Com o passar dos anos, ela obteve progressões de regime e deixou a penitenciária de Tremembé em 2022, passando ao regime aberto. Desde então, vive na cidade de Franca (SP) e chegou a trabalhar como motorista de aplicativo, antes de migrar para atividades ligadas à costura e à produção de itens para animais de estimação.
O crime foi reconstituído em documentário da Netflix, “Elize Matsunaga: Era Uma Vez um Crime”, lançado em 2021, e voltou ao centro do debate com a série “Tremembé”, na Prime Video, que dramatiza tanto a trajetória dela quanto a de outras figuras do chamado “presídio dos famosos”.
Relacionamento com Suzane von Richthofen: xadrez, sigilo e casamento na prisão
Depois de se aproximar de Elize, Sandrão viveu um relacionamento de longa duração com Suzane von Richthofen, condenada pela morte dos pais em 2002. Segundo ela, o primeiro contato mais próximo com Suzane ocorreu durante partidas de xadrez e momentos de lazer concedidos às detentas com bom comportamento.
A ex-detenta relatou que a atração inicial veio da aparência de Suzane, mas que o romance foi se consolidando no convívio diário. O primeiro beijo teria acontecido durante o trabalho na fábrica de roupas da penitenciária, em um momento em que as duas estavam sozinhas.
Por anos, o relacionamento permaneceu em sigilo dentro da unidade, por temor de punições e da repercussão externa. Apenas quando a administração prisional passou a autorizar relacionamentos homoafetivos de forma mais explícita, o casal assumiu publicamente a relação. Elas chegaram a participar juntas de uma entrevista ao apresentador Gugu Liberato, exibida em rede nacional, o que trouxe grande repercussão ao caso.
Sandrão afirma que se casou com Suzane dentro do presídio e descreve o relacionamento como “intenso” e duradouro, com planos concretos de vida em comum após a saída da prisão, incluindo a abertura de uma oficina para que a companheira pudesse trabalhar em liberdade. Ela também diz não enxergar, na experiência pessoal que teve, a suposta manipulação frequentemente atribuída à ex-detenta, embora reconheça que essa é uma leitura presente na opinião pública.
A situação atual de Suzane von Richthofen
Suzane foi condenada a 39 anos de prisão pelo assassinato dos pais, Manfred e Marísia, em crime planejado ao lado do então namorado, Daniel Cravinhos, e do irmão dele. Após anos em regime fechado, ela passou ao semiaberto em 2015 e, em janeiro de 2023, obteve regime aberto, deixando definitivamente a penitenciária.
Desde então, Suzane vive em liberdade, é microempreendedora e administra a loja on-line “Su Entrelinhas”, que comercializa chinelos personalizados e outros produtos artesanais. O negócio ganhou visibilidade com o lançamento da série “Tremembé” e acumula dezenas de milhares de seguidores nas redes sociais.
Suzane também retomou os estudos e cursa Direito, além de ter constituído família em liberdade, segundo reportagens que acompanham sua rotina em cidades do interior paulista.
Críticas de Sandrão à série “Tremembé” e possível ação na Justiça
Além de relembrar os relacionamentos e a convivência com Elize e Suzane, Sandrão utilizou a entrevista para criticar a maneira como foi retratada na série “Tremembé”. Segundo ela, a produção teria criado uma personagem que não corresponde à sua realidade pessoal, especialmente ao sugerir que teria sido líder de facção dentro do presídio e ao dramatizar cenas de extrema violência, como execuções diretamente atribuídas à sua figura.
Ela afirma que não exerceu liderança criminosa dentro da unidade e que diversos elementos mostrados na série teriam caráter ficcional. O advogado de Sandrão declarou ter a intenção de buscar judicialmente a suspensão da obra ou ajustes, alegando distorções que, segundo a defesa, agravam a percepção pública sobre o papel dela no crime pelo qual foi condenada.
A série “Tremembé”, segundo a própria Amazon e matérias especializadas, é baseada nos livros “Elize Matsunaga: A Mulher que Esquartejou o Marido” e “Suzane: Assassina e Manipuladora”, de Ulisses Campbell, e mistura fatos documentados com recursos dramáticos típicos do formato de ficção inspirada em casos reais.
Situação atual dos envolvidos e repercussão do caso
Atualmente, Sandrão responde em liberdade condicional, após cumprir a maior parte da pena por extorsão mediante sequestro seguido de morte. Ela afirma que o período em Tremembé foi decisivo em sua trajetória e chegou a declarar que o presídio “a fez virar gente”, em referência à rotina, às relações estabelecidas e aos processos de ressocialização que vivenciou.
Elize Matsunaga cumpre pena em regime aberto, vive no interior de São Paulo e mantém rotina discreta, após ter tido a história contada em documentários e na série “Tremembé”.
Suzane von Richthofen, por sua vez, segue em regime aberto desde 2023, reconstrói a vida em cidades do interior, mantém atividade empreendedora com a loja “Su Entrelinhas” e continua sendo foco de atenção pública após o lançamento da série.
A entrevista completa com Sandrão foi exibida pelo Domingo Espetacular em 16 de novembro de 2025, nas plataformas da Record, enquanto a série “Tremembé – Famosos da Prisão” permanece disponível no catálogo do Prime Video desde 31 de outubro de 2025.







