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Produtor cultural Geraldo Badá lidera cruzada pela salvação da Baixa dos Sapateiros

Parceiro de Caetano, Gil e fundador do bloco Badauê, o produtor soteropolitano cobra restauro do Cineteatro Jandaia, moradias dignas e a criação de uma Fundação Cultural na histórica avenida abandonada pelo poder público.

Redação ChicoSabeTudoRedação · Cultura
06 de junho, 2026 · 02:16 3 min de leitura
Portal ChicoSabeTudo
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Há nomes que se confundem com a causa que abraçam. Em Salvador, Geraldo Badá é um deles. Produtor cultural com décadas de história na cena soteropolitana, ele travou parcerias com Caetano Veloso, Gilberto Gil e Clarindo Silva, ajudou a fundar o bloco carnavalesco Badauê e trabalhou ao lado de nomes como Olívia Santana. Mas é uma avenida esquecida no centro da cidade que concentra a maior parte da sua energia hoje.

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A Baixa dos Sapateiros — oficialmente Avenida J.J. Seabra — é a bandeira que Badá carrega com mais força. Em suas próprias palavras, a via está "em situação crítica, precisando de atenção dos poderes públicos", com grande quantidade de lojas fechadas, falta de segurança, transporte coletivo insuficiente e iluminação deficiente.

O produtor quer muito mais do que tapa na fachada. Ele propõe a revitalização comercial completa da avenida, o restauro do Cine Pax e do Cineteatro Jandaia, a criação de moradias populares dignas na região e a fundação de um Centro de Memória. Dentro dessa estrutura, imagina cursos nas áreas de audiovisual, música, teatro, literatura, culinária, artesanato, tecelagem, artes plásticas, turismo, idiomas, capoeira e restauração. Um polo de intercâmbio cultural com outros estados e países.

A história da Baixa dos Sapateiros justifica tanto empenho. A região é o vale do Rio das Tripas, registrado desde o século 16. Desde o século 19, era conhecida como a Rua da Vala, e por volta dos anos 1830 começou a ser urbanizada. Em 1862, a rua foi completamente aterrada e, três anos depois, tornou-se a primeira grande avenida de vale da cidade. O nome "Baixa dos Sapateiros" veio dos muitos artesãos de calçados que ali trabalhavam.

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O Cine-Teatro Jandaia, inaugurado em 1911 e o primeiro de Salvador, tinha 2.200 lugares. Em seu palco se apresentaram nomes como Carmen Miranda e Grande Otelo. Conhecido como "O Palácio das Maravilhas", o local era palco de filmes, peças teatrais, bailes e concursos que agitavam a capital baiana. Hoje, o prédio é uma ruína tombada pelo patrimônio estadual, com risco real de desabamento.

Há décadas, a Baixa dos Sapateiros passa por um processo de degradação que atingiu fase crítica. O comércio popular, que foi o mais forte da capital baiana, vem fechando as portas; importantes patrimônios arquitetônicos se deterioram; moradores reclamam da violência e da presença de usuários de drogas. Um primeiro baque teria acontecido em meados da década de 1970, com a inauguração do primeiro shopping de Salvador.

O produtor Clarindo Silva, morador conhecido da região, resume bem: "O processo de degradação é muito perverso. Pelourinho é o coração, mas ele não funciona sem as artérias, sobretudo a Baixa dos Sapateiros".

O poder público não tem dado respostas à altura. Em 2024, pela primeira vez, a Baixa dos Sapateiros não recebeu iluminação especial de Natal. A Prefeitura não respondeu se existe alguma iniciativa de revitalização para o Cine Jandaia e afirmou que "não é possível estimar" a representatividade econômica da área. Segundo o governo estadual, a Baixa dos Sapateiros "foi totalmente requalificada" através do projeto Pelas Ruas do Centro Antigo, entre 2014 e 2017. Os moradores e comerciantes contam outra história.

Para Geraldo Badá, a luta pela Baixa dos Sapateiros é também uma luta pelo povo preto e pobre de Salvador. Ele não está sozinho: entre as propostas que circulam no debate público, estão incentivos e créditos específicos para investidores na área, atração de eventos culturais e a implantação do busto de Ary Barroso no Mercado de São Miguel — prevista em lei desde a década de 1960 — para reforçar a vocação cultural da Baixa dos Sapateiros, patrimônio histórico tombado pela Unesco.

A avenida que inspirou Ary Barroso e abrigou Carmen Miranda em seu palco não pode virar pó. Essa é a mensagem que Badá repete em cada audiência, cada roda de conversa, cada aparição pública. Uma voz que, aos poucos, tem encontrado eco.

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