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Cultura

Pré-venda esgotada e ditadura no enredo: professor da UFS lança romance que vai de Sergipe ao Maio de 68

Com "O Testamento do Alferes", Matheus Batalha mergulha na ditadura militar e na efervescência política de Paris para contar uma história que começa no sertão sergipano.

Redação ChicoSabeTudo
20 de julho, 2026 · 00:40 2 min de leitura
Capa do livro O Testamento do Alferes, de Matheus Batalha, publicado pela Editora Urutau
Capa do livro O Testamento do Alferes, de Matheus Batalha, publicado pela Editora Urutau

O professor e escritor sergipano Matheus Batalha chega ao seu segundo romance com a pré-venda já encerrada por esgotamento. "O Testamento do Alferes", publicado pela Editora Urutau, será lançado no dia 3 de agosto, às 17h, na Academia Sergipana de Letras, em Aracaju. O evento é aberto ao público e contará com sessão de autógrafos.

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O livro já despertou forte interesse antes mesmo de chegar às livrarias: a pré-venda realizada pela editora alcançou 100% dos exemplares disponibilizados. O dado sinaliza uma recepção aquecida para uma obra que mistura ficção histórica, memória familiar e traumas políticos de uma geração.

A narrativa acompanha Tião, um jovem sergipano marcado pela perda da mãe no nascimento e por uma infância vivida em internatos. Em meio aos anos mais duros da ditadura militar brasileira, ele é obrigado a deixar o país e segue para a Europa, onde presencia a efervescência cultural e política que culmina na histórica revolta estudantil de maio de 1968, em Paris.

Ao longo da narrativa, o romance entrelaça acontecimentos históricos com elementos da cultura popular sergipana, tendo como uma de suas referências a tradicional guerra dos Lambe-Sujos e Caboclinhos, realizada em Laranjeiras (SE). A obra estabelece um diálogo entre o universo erudito e as tradições populares para refletir sobre herança e seus impactos que atravessam gerações.

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Segundo o autor, a ideia do livro surgiu após um sonho, em janeiro de 2024, e deu início a um intenso processo de pesquisa sobre o contexto político brasileiro e europeu daquele período. O resultado é um romance que, nas palavras do próprio Matheus Batalha, busca mostrar "que nossas experiências locais também dialogam com questões universais."

Após a boa repercussão de "Tabu" (2024), seu romance de estreia, Batalha retorna à ficção com uma narrativa que atravessa diferentes tempos e geografias para discutir temas como memória, trauma, relações familiares, ditadura militar, política e amor. O primeiro livro foi inspirado na história real de uma tia-avó do autor, fundadora de um orfanato, e também abordava o contexto da ditadura militar e os efeitos do patriarcado.

Voltado aos leitores interessados em literatura contemporânea, ficção psicológica e romances históricos, "O Testamento do Alferes" propõe uma reflexão sobre memória, autoritarismo, pertencimento e os caminhos possíveis para a reconstrução das narrativas individuais e coletivas.

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Natural de Aracaju, Matheus Batalha nasceu em 1981. É doutor em Psicologia pela Universidade Federal da Bahia, foi pesquisador visitante no Departamento de Literatura e Línguas Românicas da Harvard University e atualmente é professor da Universidade Federal de Sergipe. É também membro do MAC da Academia Sergipana de Letras e da Academia Literocultural de Sergipe.

O lançamento é gratuito e acontece no Centro de Aracaju. Para quem não conseguiu exemplar na pré-venda, a obra estará disponível no evento e nos canais da Editora Urutau.

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