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Cultura

Flican abre nesta quarta em Canudos com cineasta premiado em Cannes e homenagem inédita à comunidade

VII edição da Feira Literária Internacional de Canudos reúne escritores, pesquisadores e o diretor português Miguel Gomes, que filma longa-metragem inspirado em Os Sertões.

Redação ChicoSabeTudo
27 de julho, 2026 · 16:42 2 min de leitura
Palco da Feira Literária Internacional de Canudos (Flican) com público presente no sertão baiano
Palco da Feira Literária Internacional de Canudos (Flican) com público presente no sertão baiano

Canudos volta a ser palco de um dos maiores eventos literários do interior da Bahia. A Universidade do Estado da Bahia (Uneb), por meio do Campus Avançado de Canudos, promoverá, entre os dias 29 de julho e 1º de agosto, a VII Feira Literária Internacional de Canudos (Flican). Considerada a maior feira literária dos sertões de Canudos, a VII Flican tem como tema "Literatura e Soberania".

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O evento reunirá escritores, pesquisadores, artistas, educadores, estudantes e leitores em uma programação voltada ao incentivo à leitura, à valorização da produção literária e ao fortalecimento das reflexões sobre memória, cultura e justiça histórica. A edição de 2026 será realizada em um momento particularmente simbólico, às vésperas dos 130 anos do início da Guerra contra Canudos (1896-1897).

Entre os destaques internacionais, o cineasta português Miguel Gomes é um dos convidados mais aguardados. Miguel Gomes é vencedor do prêmio de Melhor Diretor no Festival de Cannes por Grand Tour (2024). Na Flican, ele debate o longa "Selvajaria", gravado em Canudos e inspirado no clássico "Os Sertões", de Euclides da Cunha. O realizador começou a filmar a longa-metragem em Portugal, mas a maior parte da rodagem será feita a partir de agosto no Brasil.

Entre os convidados confirmados estão o historiador e secretário de Formação, Livro e Leitura do Ministério da Cultura, Fabiano Piúba, o procurador-geral de Justiça do Ministério Público da Bahia, Pedro Maia, e a professora e psicanalista Maria de Lourdes Ornellas, além da escritora Conceição Evaristo e do escritor e educador indígena Daniel Munduruku. A programação também conta com o pesquisador Leopoldo Bernucci, da Universidade da Califórnia, uma das maiores autoridades internacionais na obra de Euclides da Cunha, segundo informações divulgadas pela organização do evento.

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A edição traz ainda uma homenagem inédita. Pela primeira vez, a feira presta homenagem a uma personalidade da própria comunidade: Júlia Maria dos Santos, conhecida como Dona Durú, escolhida em reconhecimento à sua contribuição para a preservação da memória, da cultura e das tradições do sertão. Segundo o curador da feira, professor Luiz Paulo Neiva, "sua trajetória simboliza a força da oralidade como patrimônio cultural e como forma de resistência".

Às vésperas dos 130 anos do início da Guerra de Canudos, a VII Flican convida o Brasil a reencontrar um território onde a palavra nunca deixou de resistir. Ao escolher o tema "Literatura e Soberania", a Flican propõe revisitar a experiência histórica de Canudos a partir de debates contemporâneos sobre memória, resistência, violência política, território e justiça histórica, aproximando diferentes perspectivas sobre os processos de construção da sociedade brasileira, segundo o curador Luiz Paulo Neiva.

Além das mesas e debates, a programação inclui shows, teatro, cinema, exposições, atividades infantis com a Flicanzinha e oficinas para toda a família. Realizada pelo Campus Avançado de Canudos da Uneb, a Flican chega à sua sétima edição como um espaço voltado à literatura, à memória e à diversidade cultural. O evento vai até o dia 1º de agosto.

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