Canudos volta a ser palco de um dos maiores eventos literários do interior da Bahia. A Universidade do Estado da Bahia (Uneb), por meio do Campus Avançado de Canudos, promoverá, entre os dias 29 de julho e 1º de agosto, a VII Feira Literária Internacional de Canudos (Flican). Considerada a maior feira literária dos sertões de Canudos, a VII Flican tem como tema "Literatura e Soberania".
O evento reunirá escritores, pesquisadores, artistas, educadores, estudantes e leitores em uma programação voltada ao incentivo à leitura, à valorização da produção literária e ao fortalecimento das reflexões sobre memória, cultura e justiça histórica. A edição de 2026 será realizada em um momento particularmente simbólico, às vésperas dos 130 anos do início da Guerra contra Canudos (1896-1897).
Entre os destaques internacionais, o cineasta português Miguel Gomes é um dos convidados mais aguardados. Miguel Gomes é vencedor do prêmio de Melhor Diretor no Festival de Cannes por Grand Tour (2024). Na Flican, ele debate o longa "Selvajaria", gravado em Canudos e inspirado no clássico "Os Sertões", de Euclides da Cunha. O realizador começou a filmar a longa-metragem em Portugal, mas a maior parte da rodagem será feita a partir de agosto no Brasil.
Entre os convidados confirmados estão o historiador e secretário de Formação, Livro e Leitura do Ministério da Cultura, Fabiano Piúba, o procurador-geral de Justiça do Ministério Público da Bahia, Pedro Maia, e a professora e psicanalista Maria de Lourdes Ornellas, além da escritora Conceição Evaristo e do escritor e educador indígena Daniel Munduruku. A programação também conta com o pesquisador Leopoldo Bernucci, da Universidade da Califórnia, uma das maiores autoridades internacionais na obra de Euclides da Cunha, segundo informações divulgadas pela organização do evento.
A edição traz ainda uma homenagem inédita. Pela primeira vez, a feira presta homenagem a uma personalidade da própria comunidade: Júlia Maria dos Santos, conhecida como Dona Durú, escolhida em reconhecimento à sua contribuição para a preservação da memória, da cultura e das tradições do sertão. Segundo o curador da feira, professor Luiz Paulo Neiva, "sua trajetória simboliza a força da oralidade como patrimônio cultural e como forma de resistência".
Às vésperas dos 130 anos do início da Guerra de Canudos, a VII Flican convida o Brasil a reencontrar um território onde a palavra nunca deixou de resistir. Ao escolher o tema "Literatura e Soberania", a Flican propõe revisitar a experiência histórica de Canudos a partir de debates contemporâneos sobre memória, resistência, violência política, território e justiça histórica, aproximando diferentes perspectivas sobre os processos de construção da sociedade brasileira, segundo o curador Luiz Paulo Neiva.
Além das mesas e debates, a programação inclui shows, teatro, cinema, exposições, atividades infantis com a Flicanzinha e oficinas para toda a família. Realizada pelo Campus Avançado de Canudos da Uneb, a Flican chega à sua sétima edição como um espaço voltado à literatura, à memória e à diversidade cultural. O evento vai até o dia 1º de agosto.







