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Flávio José ameaça abandonar São João da Bahia após MP pedir corte em seu cachê

Sanfoneiro de 74 anos diz se sentir "injustiçado e desrespeitado" com proposta de redução de R$ 45 mil e coloca em risco 15 apresentações no estado

Redação ChicoSabeTudoRedação · Cultura
03 de junho, 2026 · 12:59 3 min de leitura
Portal ChicoSabeTudo
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Um dos maiores nomes do forró e do xote no Brasil, o cantor e sanfoneiro Flávio José, de 74 anos, veio a público nesta quarta-feira (3) manifestar revolta contra a recomendação do Ministério Público da Bahia (MP-BA) que prevê a redução do seu cachê para as festas juninas do estado. Segundo informações divulgadas pelo portal Ibahia, o artista chegou a determinar o cancelamento de todos os seus shows na Bahia caso a medida seja mantida.

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Em mensagem enviada ao perfil "São João em Bonfim", no Instagram, Flávio José desabafou: "Nunca me senti tão INJUSTIÇADO E DESRESPEITADO na minha vida", conforme reprodução divulgada pelo Ibahia. O cantor afirmou ainda que, se a decisão do MP for confirmada, nunca mais se apresentará no São João baiano.

De acordo com a equipe do artista, a recomendação do MP-BA prevê uma redução de cerca de R$ 45 mil no valor do cachê. O cachê de Flávio José registrado no Painel de Transparência dos Festejos Juninos é de R$ 350 mil por apresentação. O cantor não aceitou o corte e defende o pagamento integral do seu valor de mercado.

Na mesma publicação, Flávio José lamentou o que considera falta de reconhecimento com artistas do forró. Segundo informações do Ibahia, ele escreveu que priorizou a Bahia ao longo de toda a sua carreira e que artistas de outros gêneros musicais recebem cachês muito superiores ao seu — o que faz. Para 2026, os cachês mais altos do São João na Bahia seguem sendo de estrelas fora do forró: a dupla sertaneja Zé Neto e Cristiano, por exemplo, irá faturar R$ 905 mil por show no estado.

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O impasse coloca em xeque um total de 15 apresentações já agendadas pelo sanfoneiro em cidades baianas para este São João, segundo a fonte original. A situação ficou ainda mais evidente quando o perfil "São João em Bonfim" questionou o cantor sobre o impacto na apresentação de Senhor do Bonfim, e ele confirmou que todas as 15 datas estão comprometidas.

O caso de Flávio José insere-se em um movimento mais amplo do MP-BA para conter os gastos públicos com cachês artísticos nos festejos juninos de 2026. Acordos firmados entre o MP-BA e artistas de projeção nacional e regional resultaram na redução voluntária de cachês de aproximadamente 180 contratos, com economia estimada de R$ 8,8 milhões aos cofres públicos.

Entre os artistas que aderiram ao compromisso estão Toque Dez, Solange Almeida, Igor Kannario, Batista Lima, Adelmário Coelho, Caviar com Rapadura e Forrós dos Plays. A maior redução foi da banda Toque Dez, superior a R$ 5 milhões em 52 contratos. Em seguida aparecem Solange Almeida, com R$ 1,3 milhão em 20 contratos, e Igor Kannario, com R$ 1 milhão em 20 contratos.

O modelo adotado pelo MP-BA considera a média dos cachês praticados pelos artistas ao longo de 2025, com aplicação de correção pelo IPCA para os contratos deste ano. Os festejos juninos de 2026 têm sido marcados por atuação rigorosa do MP-BA, do Tribunal de Contas dos Municípios (TCM-BA) e do Tribunal de Contas do Estado (TCE-BA), com principal preocupação voltada aos altos cachês pagos com recursos públicos, especialmente em municípios de pequeno e médio porte.

Flávio José não está entre os artistas que aceitaram a redução voluntária. Segundo o Ibahia, uma reunião entre a equipe do sanfoneiro e o Ministério Público está agendada para a próxima segunda-feira (8), quando será tomada a decisão final sobre a manutenção ou não do cachê — e sobre o futuro das suas apresentações na maior festa cultural do Nordeste.

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