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Cultura

Escritora indígena do povo Tuxá, de Rodelas, lança livro infantil sobre a voz das águas e da floresta

Obra de Tamaruhí Tuxá traz a protagonista Kayanny em uma jornada de conexão com a natureza e os saberes ancestrais do povo do São Francisco.

Redação ChicoSabeTudo
10 de julho, 2026 · 04:08 3 min de leitura
Capa do livro Amara Mó Opará – O canto do rio, da escritora indígena Tamaruhí Tuxá
Capa do livro Amara Mó Opará – O canto do rio, da escritora indígena Tamaruhí Tuxá

Uma jovem liderança indígena de Rodelas, no sertão baiano às margens do Rio São Francisco, chega às livrarias com uma obra que une poesia, cultura originária e literatura infantil. Tamaruhí Tuxá, do povo Tuxá da Aldeia Mãe, assina Amara Mó Opará – O canto do rio, publicado pela Solisluna Editora e ilustrado por Eris Beatriz.

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O lançamento está marcado para o dia 12 de julho, na Livraria Terra Libris, instalada no Cine Glauber Rocha, no Centro Histórico de Salvador. O evento inclui bate-papo com as autoras e sessão de autógrafos.

A história acompanha Kayanny, uma menina que desde pequena aprendeu, junto ao seu povo, a se comunicar na língua das águas e das matas. Ela acompanha o movimento das ondas do rio, mergulha na correnteza, caminha pela floresta e encontra, nessa profunda conexão com a natureza, sua própria essência. A narrativa é dirigida tanto ao público infantil quanto aos adultos.

A história convida o leitor a redescobrir uma forma ancestral de habitar o mundo, em que rios, árvores e territórios não são apenas paisagens, mas seres vivos, portadores de memória, sabedoria e pertencimento.

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Tamaruhí Tuxá é indígena do povo Tuxá, da Aldeia Mãe, em Rodelas, no interior da Bahia. Artista, escritora e liderança jovem, atua por meio da literatura, do audiovisual e do movimento estudantil pelo protagonismo indígena. Sua escrita poética constitui uma ferramenta de luta anticolonial, voltada à valorização dos saberes de seu povo, da defesa dos territórios indígenas e da educação escolar indígena.

O povo Tuxá tem raízes profundas no baixo-médio São Francisco. Com suas terras tradicionais inundadas, os Tuxá foram transferidos para três áreas — um grupo nos limites do município de Ibotirama, outro em Rodelas, ambos na Bahia, e outro à margem do município pernambucano de Inajá. A construção da barragem de Itaparica, em 1988, foi um dos marcos mais dolorosos dessa história de deslocamento forçado.

As ilustrações ficaram a cargo de Eris Beatriz. Nascida em Salvador e de família pernambucana, é ilustradora e designer graduada pela Escola de Belas Artes da Universidade Federal da Bahia (UFBA) e desde 2019 atua no campo da ilustração, design gráfico e editorial. Em sua pesquisa artística, natureza, ancestralidade, sonhos e memória se entrelaçam em narrativas visuais construídas por meio de técnicas como aquarela, gravura e serigrafia.

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A Solisluna, editora responsável pela publicação, é uma casa com mais de três décadas de história sediada na Bahia. Em 2024, foi selecionada como uma das cinco finalistas para as regiões América do Sul, América Central e Caribe do Bologna Prize Best Children's Publishers of the Year, prestigiosa premiação italiana para livros infantis de todo o mundo.

Segundo informações divulgadas pela editora, Amara Mó Opará – O canto do rio tem 40 páginas, capa dura e reforça o compromisso da Solisluna com obras que ampliam a representatividade na literatura infantil brasileira. O lançamento integra a programação cultural da Livraria Terra Libris, espaço dedicado à literatura, às artes e ao pensamento contemporâneo, instalado no Cine Glauber Rocha, no Centro Histórico de Salvador.

Serviço: Lançamento de Amara Mó Opará – O canto do rio | Data: 12 de julho (domingo) | Local: Livraria Terra Libris, Cine Glauber Rocha – Praça Castro Alves, Centro Histórico de Salvador. O evento inclui bate-papo com as autoras, contação de história e sessão de autógrafos.

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