Uma jovem liderança indígena de Rodelas, no sertão baiano às margens do Rio São Francisco, chega às livrarias com uma obra que une poesia, cultura originária e literatura infantil. Tamaruhí Tuxá, do povo Tuxá da Aldeia Mãe, assina Amara Mó Opará – O canto do rio, publicado pela Solisluna Editora e ilustrado por Eris Beatriz.
O lançamento está marcado para o dia 12 de julho, na Livraria Terra Libris, instalada no Cine Glauber Rocha, no Centro Histórico de Salvador. O evento inclui bate-papo com as autoras e sessão de autógrafos.
A história acompanha Kayanny, uma menina que desde pequena aprendeu, junto ao seu povo, a se comunicar na língua das águas e das matas. Ela acompanha o movimento das ondas do rio, mergulha na correnteza, caminha pela floresta e encontra, nessa profunda conexão com a natureza, sua própria essência. A narrativa é dirigida tanto ao público infantil quanto aos adultos.
A história convida o leitor a redescobrir uma forma ancestral de habitar o mundo, em que rios, árvores e territórios não são apenas paisagens, mas seres vivos, portadores de memória, sabedoria e pertencimento.
Tamaruhí Tuxá é indígena do povo Tuxá, da Aldeia Mãe, em Rodelas, no interior da Bahia. Artista, escritora e liderança jovem, atua por meio da literatura, do audiovisual e do movimento estudantil pelo protagonismo indígena. Sua escrita poética constitui uma ferramenta de luta anticolonial, voltada à valorização dos saberes de seu povo, da defesa dos territórios indígenas e da educação escolar indígena.
O povo Tuxá tem raízes profundas no baixo-médio São Francisco. Com suas terras tradicionais inundadas, os Tuxá foram transferidos para três áreas — um grupo nos limites do município de Ibotirama, outro em Rodelas, ambos na Bahia, e outro à margem do município pernambucano de Inajá. A construção da barragem de Itaparica, em 1988, foi um dos marcos mais dolorosos dessa história de deslocamento forçado.
As ilustrações ficaram a cargo de Eris Beatriz. Nascida em Salvador e de família pernambucana, é ilustradora e designer graduada pela Escola de Belas Artes da Universidade Federal da Bahia (UFBA) e desde 2019 atua no campo da ilustração, design gráfico e editorial. Em sua pesquisa artística, natureza, ancestralidade, sonhos e memória se entrelaçam em narrativas visuais construídas por meio de técnicas como aquarela, gravura e serigrafia.
A Solisluna, editora responsável pela publicação, é uma casa com mais de três décadas de história sediada na Bahia. Em 2024, foi selecionada como uma das cinco finalistas para as regiões América do Sul, América Central e Caribe do Bologna Prize Best Children's Publishers of the Year, prestigiosa premiação italiana para livros infantis de todo o mundo.
Segundo informações divulgadas pela editora, Amara Mó Opará – O canto do rio tem 40 páginas, capa dura e reforça o compromisso da Solisluna com obras que ampliam a representatividade na literatura infantil brasileira. O lançamento integra a programação cultural da Livraria Terra Libris, espaço dedicado à literatura, às artes e ao pensamento contemporâneo, instalado no Cine Glauber Rocha, no Centro Histórico de Salvador.
Serviço: Lançamento de Amara Mó Opará – O canto do rio | Data: 12 de julho (domingo) | Local: Livraria Terra Libris, Cine Glauber Rocha – Praça Castro Alves, Centro Histórico de Salvador. O evento inclui bate-papo com as autoras, contação de história e sessão de autógrafos.







