O Correio do Sertão, fundado em 15 de julho de 1917 por Honório de Souza Pereira, é o segundo jornal mais antigo da Bahia e um símbolo de resistência, memória e identidade de Morro do Chapéu. Agora, mais de um século de história regional ganhou uma nova camada de proteção: o periódico concluiu nesta quinta-feira (9) a digitalização completa de suas edições históricas, com apoio da Fundação Pedro Calmon.
O processo foi dividido em duas etapas. Segundo informações divulgadas pelo Bahia Notícias, a primeira aconteceu em 2022 e cobriu as edições de 1917 até 2006. A segunda fase teve início na última segunda-feira (6) e terminou nesta quinta (9), com a digitalização das edições de 2007 até junho de 2026 — completando assim todo o acervo impresso do jornal.
Todo o acervo documental, digitalizado pela Fundação Pedro Calmon, deve se transformar numa espécie de biblioteca eletrônica, podendo ser consultada em qualquer lugar do mundo por meio de uma plataforma digital online. Segundo a fonte original, as edições estarão disponíveis em breve no próprio site do jornal, acessíveis a assinantes.
A Fundação Pedro Calmon, vinculada à Secretaria da Cultura do Estado da Bahia, é a entidade responsável pelo sistema de Arquivos e Bibliotecas Públicas do estado, formulando e implantando políticas públicas neste setor e trabalhando com memória, livro e leitura. A digitalização do acervo do Correio do Sertão se enquadra diretamente nessa missão institucional.
O acervo digitalizado é rico em registros que vão muito além do jornalismo cotidiano. Segundo a fonte original, entre os documentos estão reportagens sobre a chegada dos primeiros automóveis à região, o processo de emancipação do município e acontecimentos que ajudam a entender a evolução de Morro do Chapéu ao longo das décadas. Por suas páginas, passaram relatos de festas, lutas políticas, transformações econômicas e sociais, além de registros de nascimentos, casamentos, falecimentos e conquistas da população.
O diretor do jornal, Edson Vasconcelos, ressaltou a importância da iniciativa para a sobrevivência do periódico. Em entrevista à TV Chapada, ele afirmou que o Correio do Sertão "jamais morrerá" e que nas suas páginas estarão gravados "tudo de importante que aconteceu em nossa cidade, com a nossa gente, de todo o sertão".
Edson Vasconcelos é o atual diretor do jornal e descendente de Honório de Souza Pereira, o fundador que, enfrentou o ceticismo de muitos, vendeu bens pessoais e trouxe o maquinário da Alemanha numa verdadeira epopeia logística, que envolveu navio, trem e lombo de animal, entregando os primeiros exemplares de porta em porta.
Atualmente com cerca de 2.000 assinantes, tendo metade deles espalhada pelo país, o jornal consegue desde sua fundação circular de forma ininterrupta. Ao completar 108 anos, o Correio do Sertão reafirma seu papel como patrimônio cultural de Morro do Chapéu, da Bahia e do Brasil.







