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Cultura

Com 560 documentários, "Raízes de Arapiraca" chega à 33ª edição e consolida recorde mundial

Projeto idealizado pelo deputado Ricardo Nezinho ultrapassa marca histórica e se firma como o maior acervo etnográfico do planeta, imortalizando a memória viva da segunda maior cidade de Alagoas.

Redação ChicoSabeTudo
16 de junho, 2026 · 07:35 3 min de leitura
Lançamento da 33ª edição do projeto Raízes de Arapiraca no CineSystem, em Alagoas
Lançamento da 33ª edição do projeto Raízes de Arapiraca no CineSystem, em Alagoas

Arapiraca, segunda maior cidade de Alagoas, acaba de registrar mais um marco cultural de dimensão mundial. O projeto Raízes de Arapiraca chegou à sua 33ª edição ultrapassando a barreira dos 560 documentários lançados — um acervo que o torna o maior trabalho etnográfico do planeta, segundo seus organizadores. A iniciativa é idealizada pelo deputado estadual Ricardo Nezinho e coloca moradores comuns no centro da narrativa histórica da cidade.

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Cada edição reúne personagens que ajudaram a construir Arapiraca ao longo de seus cerca de 100 anos de história. Os próprios protagonistas contam suas trajetórias: as dificuldades, as superações, os modos de vida e os laços que firmaram a identidade da cidade. São histórias que, muitas vezes, nunca teriam sido registradas de outra forma.

"Cada edição tem uma emoção diferente, porque cada edição tem uma história totalmente diferente", disse Nezinho, que já acumula mais de 560 horas acompanhando esses relatos. O parlamentar lembrou das condições de vida de gerações anteriores para destacar o quanto a cidade avançou: casas de taipa, a necessidade de caminhar até oito quilômetros para buscar água e uma feira que acontecia apenas uma vez por semana. Para ele, três pilares explicam o desenvolvimento de Arapiraca: a localização estratégica, o cultivo do fumo e o espírito empreendedor que tem na feira livre sua maior expressão.

Por trás de cada documentário exibido em cinema, há um trabalho cuidadoso que começa antes mesmo das gravações. Suely Mara, integrante da produção e esposa de Nezinho, explica que a equipe — formada por profissionais da própria cidade — visita as casas dos homenageados para reunir fotografias e entender a fundo cada trajetória. O objetivo é deixar os personagens à vontade, já que muitos nunca haviam falado diante de microfones e câmeras. "A gente vê pessoas simples que às vezes pensam que nem têm o que dizer, e quando termina, a gente vê histórias belíssimas", afirmou Suely.

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A vice-prefeita Rute Nezinho acompanhou o lançamento e ressaltou o papel social do projeto para as novas gerações. "Um povo que conhece sua história, suas raízes, é um povo forte, que tem sua identidade fortalecida", declarou. Ela também manifestou o desejo de que o modelo sirva de inspiração para outros municípios alagoanos.

A 33ª edição apresentou histórias de perfis bem distintos. De acordo com informações divulgadas pelo portal Cada Minuto, um dos homenageados foi o engenheiro civil Ademar Barboza dos Santos, de 73 anos, nascido no Alto do Cruzeiro e testemunha das transformações urbanas da cidade. Outro personagem foi Sebastião José dos Santos, de 82 anos, que veio de Anadia, trabalhou na roça e passou anos nos salões de fumo da região — história que representa a migração interna e o esforço que moldaram Arapiraca.

O projeto já foi reconhecido como Patrimônio Cultural do Estado de Alagoas, título aprovado pela Assembleia Legislativa em outubro de 2024. Os documentários também integram a grade da TV Assembleia e estão disponíveis no canal do Raízes de Arapiraca no YouTube. A meta declarada da equipe é chegar à marca de mil documentários, ampliando ainda mais um acervo que já não tem paralelo no mundo.

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