A literatura negra infantojuvenil ganhou um novo marco na Bahia. A segunda edição do Maio com Dendê marcou o lançamento de Contos para Ibejada, nova coletânea infantojuvenil da Liga do Dendê, reunindo 26 autores e autoras negros da Bahia em narrativas que celebram ancestralidade, memória e identidade afro-brasileira. O lançamento aconteceu no dia 25 de maio, data em que se comemora o Dia da África, com programação artística e cultural das 9h às 20h, na Biblioteca dos Barris.
A obra é organizada por Cássia Valle, Denise Ferreira, Luciana Palmeira, Paula Brito e Taísa Ferreira, e celebra ancestralidade, memória e identidade a partir de narrativas que dialogam com o universo afro-brasileiro e afrodiaspórico. O livro está à venda por R$ 54. A obra também pode ser adquirida em todo o Brasil pelo Instagram do projeto, @ligadodende.
A publicação dá continuidade à trajetória iniciada em 2021 pelo coletivo, que vem promovendo encontros, ações literárias e publicações dedicadas à afirmação de vozes negras no cenário contemporâneo. Para Cássia Valle, uma das organizadoras, a Liga nasceu para mostrar que a produção literária não é exclusividade dos grandes centros do país. "Entendemos a escrita como continuidade de memória e também como construção de futuro. Quando falamos de saída, falamos de coletividade. Ninguém constrói nada sozinho. Nossa escrita é roda, é encontro, é movimento", afirma.
Um dos diferenciais da coletânea é a presença de crianças entre os autores. Segundo informações divulgadas pelo jornal A Tarde, entre os títulos da obra estão A magia da ancestralidade, de Luis Pedro Azevedo, 12 anos, e Pretinhas empoderadas, de Duda Santhana, 10 anos. A proposta é que crianças negras não apenas apareçam nas histórias, mas as escrevam. "Quando a criança passa de leitora a autora, ela se reconhece como sujeito de voz, memória e criação", destaca Denise Ferreira.
Para Luciana Palmeira, a literatura funciona como "ferramenta de formação simbólica, permitindo que crianças e jovens tenham acesso a narrativas plurais nas quais possam se reconhecer e compreender a diversidade da sociedade." Os temas percorrem referências culturais africanas e afro-diaspóricas presentes na Bahia: a Irmandade da Boa Morte de Cachoeira, os terreiros, os griôs, o samba junino do Engenho Velho de Brotas e as memórias do Recôncavo Baiano, conforme detalhado pela reportagem do A Tarde.
Com ilustrações de Edson de Souza e diagramação de Esa Gomes, a coletânea reafirma o compromisso da Liga do Dendê com a valorização de narrativas negras produzidas na Bahia. Participam da obra nomes como Paula Brito, Cássia Valle, Taísa Ferreira, Denise Ferreira, Akin Rudá Ferreira, Dennis Emanuel Ferreira, Genivaldo Santos, Jamile Kyanda Barboza, Raí Santana, Carine Barboza, Jacqueline Meire, Luis Pedro Azevedo, Zion Passos, Yalle Tárique, Bia Barreto, Maurício Akin, Anderson Shon, Duda Santhana, Luciana Palmeira, Aysha Oliveira, Carol Adesewa, Jaqueline Santana, Joaquim Jesus, Ladjane Alves Sousa, Niní Kemba Nàió e Ulisses Passos.
O evento também apresentou a Liguinha do Dendê, novo braço do coletivo voltado ao incentivo de crianças e jovens escritores negros, que reúne autores mirins e suas famílias em um espaço de acolhimento, troca e estímulo à escrita desde a infância. Segundo o A Tarde, a iniciativa surgiu a partir de uma provocação de Zion Passos, filho de Taísa Ferreira, ao questionar por que ainda não existia uma versão infantil da Liga.
Além do lançamento, a programação do Maio com Dendê contou com apresentações culturais, rodas de conversa, contação de histórias, oficinas de pintura e escrita criativa, além de brincadeiras africanas e doação de livros para escolas participantes. O encerramento foi o Sarau da Liga, reunindo integrantes da coletânea para celebrar a infância com música, apresentações artísticas e poesias.







