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Adeus ao baiano que ajudou a inventar o cinema brasileiro: morre Orlando Senna aos 85 anos

De Lençóis à Amazônia, de Cuba ao Ministério da Cultura: cineasta, roteirista e gestor cultural deixa um legado de mais de 30 filmes e uma vida dedicada ao audiovisual nacional.

Redação ChicoSabeTudoRedação · Cultura
09 de junho, 2026 · 18:08 3 min de leitura
Portal ChicoSabeTudo
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O cinema brasileiro perdeu nesta terça-feira, 10 de junho, uma de suas vozes mais longevas e influentes. Orlando de Salles Senna, cineasta, jornalista e gestor cultural nascido em Lençóis, na Chapada Diamantina baiana, morreu aos 85 anos. A causa da morte não foi divulgada.

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Natural do distrito de Afrânio Peixoto, no município de Lençóis, Orlando Senna nasceu em 25 de abril de 1940. Seu pai era envolvido com a política e sua mãe atuava no teatro amador — duas influências que moldaram toda a sua trajetória. Quando chegou a Salvador, vindo da Chapada Diamantina, participou intensamente da vida político-cultural da virada dos anos 1950 para os 1960, período de efervescência na Bahia e no Brasil.

Roteirista e diretor, estreou no cinema como assistente de Roberto Pires em "Tocaia no Asfalto" (1962). Antes disso, participou ativamente da vida cultural de Salvador, na Escola de Teatro da Bahia, no Centro Popular de Cultura, escrevendo críticas de cinema e dirigindo teatro. Mudou-se para o Rio de Janeiro no fim dos anos 1960, quando realizou seu primeiro longa-metragem, "A Construção da Morte" (1969).

O ponto mais alto de sua carreira como diretor chegou com "Iracema: Uma Transa Amazônica", um filme do Cinema Novo de 1974, codirigido com Jorge Bodanzky. Filmado em 16mm para ter acesso a locações remotas, o longa misturava cenas roteirizadas com imagens documentais de desmatamento. Inicialmente proibido pelo regime militar por seu conteúdo crítico, estreou no Festival de Taormina em 1975, passou por Cannes em 1976 e, em 2015, foi eleito pela Abraccine um dos 100 melhores filmes brasileiros de todos os tempos.

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Como roteirista, colaborou com Hector Babenco em "O Rei da Noite" (1975), Geraldo Sarno em "Coronel Delmiro Gouveia" (1977) e Ruy Guerra em "Ópera do Malandro" (1985). Seus filmes receberam prêmios nos festivais de Cannes, Figueira da Foz, Taormina, Pesaro, Havana, Porto Rico, Brasília, Gramado e Rio de Janeiro. Seus trabalhos para a televisão foram premiados na Inglaterra com o British Environment and Media Awards e o Panda do Festival Wildscreen, conhecido como Oscar Verde.

A vocação de Orlando Senna sempre ultrapassou as telas. De 1991 a 1994, foi diretor da Escola Internacional de Cinema e Televisão de San Antonio de los Baños, em Cuba, da qual é um dos fundadores. Durante sua gestão, a escola recebeu o Prêmio Rossellini do Festival de Cannes. Ele também atuou como professor no Centro de Capacitação Cinematográfica do México, contribuindo para a formação de novas gerações de realizadores na América Latina.

Na gestão pública brasileira, ocupou o cargo de Secretário do Audiovisual do Ministério da Cultura entre 2003 e 2007. Segundo informações divulgadas pelo portal A Tarde, em seguida assumiu uma diretoria na Empresa Brasil de Comunicação (EBC) e presidiu a Televisão América Latina (TAL) entre 2008 e 2015.

Após mais de uma década afastado das câmeras, retornou à direção com vigor, lançando três produções em apenas dois anos: os documentários "Idade da Água" (2018) e "Sol da Bahia" (2019), além da ficção "Longe do Paraíso" (2020). Em novembro de 2024, recebeu o título de Doutor Honoris Causa da UFBA.

Meses antes de morrer, seu nome já havia virado patrimônio oficial do setor. O Ministério da Cultura criou uma premiação de curtas-metragens em sua homenagem, reconhecendo-o como figura fundamental para o desenvolvimento do audiovisual no Brasil e no mundo. Entre suas contribuições destacadas estão o filme "Iracema, Uma Transa Amazônica" e roteiros como "O Rei da Noite" e "Ópera do Malandro". Uma vida inteira dedicada a contar o Brasil — e a ensinar outros a fazê-lo.

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