Moradores de Salvador têm a oportunidade de fazer a diferença na vida de crianças e adolescentes vulneráveis. A Fundação Cidade Mãe (FCM), ligada à Secretaria Municipal de Políticas para Mulheres, Infância e Juventude, está ampliando o cadastro do Serviço Família Acolhedora e busca novos voluntários dispostos a oferecer um lar temporário a pequenos em situação de risco.
O programa recebe crianças e adolescentes que foram afastados do convívio familiar por medida protetiva determinada pela Justiça. Em Salvador, os encaminhamentos partem da 1ª Vara da Infância e Juventude do Tribunal de Justiça da Bahia. São jovens que sofreram algum tipo de violação de direitos e precisam de proteção até que possam retornar à família de origem ou sejam encaminhados para adoção.
A presidente da FCM, Isabela Almeida, reforça a importância da participação da sociedade. Segundo ela, há uma necessidade real de ampliar o número de famílias inscritas: "A sociedade precisa entender que ela pode ser parte, fazer a diferença, marcar uma geração, mudar para sempre a vida de uma pessoa."
Quem entra no programa não fica sozinho. As famílias cadastradas recebem acompanhamento psicossocial antes, durante e após o período de acolhimento, além de orientação técnica ao longo de toda a participação no serviço. O suporte psicológico inclui o trabalho sobre o vínculo formado com a criança — etapa considerada fundamental pela fundação.
Outra possibilidade prevista pelo programa é a de que a família acolhedora se torne madrinha da criança, com a permissão da família biológica ou adotiva para a qual o menor for direcionado ao fim do acolhimento. Em Salvador, o serviço é executado exclusivamente pela Prefeitura, por meio da FCM — diferente de outros estados, onde organizações do terceiro setor ou governos estaduais assumem essa função.
O Serviço Família Acolhedora está previsto no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e é regulamentado em Salvador pela Lei Municipal nº 9.015/2016. No Brasil, o acolhimento familiar é considerado pelo ECA a modalidade preferencial em relação ao acolhimento institucional — como abrigos —, mas dados nacionais indicam que apenas cerca de 5% das crianças acolhidas no país estão em lares de famílias voluntárias, o que evidencia a necessidade de expansão do serviço.
Para participar, o interessado precisa ter mais de 21 anos, morar em Salvador há pelo menos dois anos, estar em boas condições de saúde física e mental, não ter vínculo de parentesco com a criança ou adolescente em acolhimento e contar com a concordância de todos os integrantes do núcleo familiar. É necessário apresentar documentos como RG, CPF e comprovantes de residência e renda.
As inscrições e informações podem ser obtidas pelo e-mail [email protected] ou pelos telefones (71) 3202-2428 e (71) 3202-2429.







