O peixe-leão, espécie exótica invasora e dotada de espinhos venenosos, já tem presença confirmada em pelo menos 10 municípios da Bahia, do Litoral Norte ao Extremo Sul do estado (F1.f). O animal é originário das águas do Indo-Pacífico e chegou ao Oceano Atlântico, onde se espalha fora de seu habitat natural (F1.b).
Em Porto Seguro, uma ação conjunta entre a Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Causa Animal (Semac) e pescadores da Colônia Z-22 retirou 500 exemplares da água em setembro (F1.d). Já em Salvador, pescadores capturaram o peixe-leão no Porto da Barra (F1.e).
A espécie se alimenta de peixes pequenos e crustáceos nativos (F1.c) e pode afetar a biodiversidade local, além de impactar atividades de pesca, segundo avaliação de especialistas (F1.i). A bióloga marinha Stella Furlan chama atenção para a capacidade do peixe-leão de ocupar diferentes ambientes. "Outro fator preocupante é sua capacidade de ocupar diferentes ambientes, incluindo recifes de coral, estuários e manguezais, ampliando os impactos potenciais sobre a biodiversidade", afirma (F1.c1).
Para Furlan, o cenário já exige adaptação, não apenas combate. "Precisamos compreender que, neste momento, não estamos falando apenas de combater uma espécie invasora, mas também de aprender a conviver com uma realidade ecológica que já foi profundamente alterada", diz (F1.c2).
O perigo do peixe-leão está concentrado em 18 espinhos capazes de inocular veneno (F1.j). Acidentes acontecem quando o animal é tocado, pisado sem querer ou manuseado de forma incorreta, mesmo depois de morto (F1.k). A picada pode causar dor forte, inchaço, náuseas, cólicas, fraqueza e até desmaio (F1.l). Por isso, capturar e manusear o peixe exige treinamento, equipamento e técnica adequados (F1.m).
Apesar do risco dos espinhos, a carne do peixe-leão pode ser consumida com segurança, já que o veneno não está presente nela (F1.o, F1.n). Antes do preparo, no entanto, os espinhos precisam ser retirados com cuidado por alguém capacitado (F1.s), e a carne deve ser bem cozida, nunca consumida crua (F1.t).
Furlan avalia que a pesca direcionada da espécie pode ajudar a reduzir a população local e, ao mesmo tempo, abrir espaço para aproveitamento econômico entre pescadores. "A pesca direcionada pode contribuir para a redução local das populações, além de gerar oportunidades de aproveitamento econômico para as comunidades pesqueiras. Entretanto, essa atividade precisa ser desenvolvida com responsabilidade, orientação científica e protocolos adequados de segurança", pontua (F1.c3). Ela defende ainda que a participação de pescadores e mergulhadores siga as orientações de órgãos ambientais e instituições de pesquisa (F1.v).
A bióloga cobra mais investimento em informação e preparo das comunidades costeiras. "Um dos maiores problemas que enfrentamos é a falta de políticas públicas efetivas, de divulgação e de ações educativas direcionadas às comunidades costeiras. Precisamos urgentemente de campanhas de conscientização, oficinas de capacitação e programas de monitoramento, especialmente junto aos pescadores e às colônias de pesca", afirma (F1.c4).
Parte dos exemplares capturados segue para instituições de ensino, como a Universidade Federal da Bahia (UFBA) e a Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB), que realizam pesquisas sobre a espécie (F1.x).







