A IBM anunciou o fechamento de seu laboratório de pesquisa no Brasil, o único da companhia na América Latina. A decisão, comunicada aos cerca de 100 funcionários na última terça-feira (18), afetará equipes em São Paulo e no Rio de Janeiro, encerrando uma unidade criada em 2010 para desenvolver tecnologias em inteligência artificial, computação em nuvem e computação quântica.
Funcionários do laboratório relataram que o encerramento foi uma determinação da matriz nos Estados Unidos, sem explicações detalhadas sobre os motivos. A IBM enviou cartas de aviso prévio, informando que os contratos de trabalho serão encerrados em 18 de dezembro. Essa reestruturação ocorre no mesmo momento em que a empresa anunciou demissões globais, afetando um percentual considerado baixo de sua força de trabalho, que totalizava cerca de 270 mil funcionários no fim de 2024.
Em nota oficial, a IBM afirmou que os trabalhos de pesquisa e desenvolvimento realizados no Brasil serão integrados a outras unidades da empresa no mundo, onde já existem operações consolidadas. Apesar da decisão de fechar a unidade brasileira, funcionários contradizem a justificativa de desempenho, afirmando que o laboratório tinha contribuído de maneira significativa para a produção científica da empresa.
O impacto do fechamento atinge não apenas pesquisadores, mas também equipes de suporte que atuavam no laboratório. Nas redes sociais, colaboradores expressaram seu descontentamento e relembraram projetos significativos desenvolvidos, como o Yẽgatu Digital, uma iniciativa que utilizou tecnologias de IA para facilitar a escrita na língua nheengatu, uma língua indígena brasileira.
Com mais de um século de história, a IBM mantém atualmente 11 laboratórios em 19 escritórios ao redor do mundo, incluindo a América do Norte, Europa, Ásia e África. Recentemente, a empresa reportou lucro líquido de US$ 1,7 bilhão no terceiro trimestre de 2025, revertendo prejuízos do ano anterior.







