A Polícia Federal Australiana (AFP) e a Universidade Monash estão desenvolvendo uma solução distinta chamada "Silverer". Esta tecnologia utiliza a técnica de envenenamento de dados para combater a proliferação de deepfakes e outros conteúdos ilegais. O objetivo é oferecer uma camada de proteção digital para usuários que compartilham imagens na internet, dificultando as ações de criminosos que geram essas falsificações.
O envenenamento de dados consiste em realizar alterações sutis nas imagens originais, de modo a confundir os algoritmos de inteligência artificial. Essas modificações, que afetam os pixels das imagens, visam tornar a criação de conteúdos falsos muito mais complexa. Elizabeth Perry, pesquisadora responsável pelo projeto AiLECS, descreve o processo como "colocar prata atrás do vidro" para gerar reflexos inúteis em vez de imagens claras.
A ferramenta Silverer capacita os usuários a editar suas imagens antes da publicação. Com a aplicação dessas pequenas distorções, as imagens resultantes tornam-se borradas ou irreconhecíveis, oferecendo um desafio significativo para quem tenta elaborar deepfakes. A crescente facilidade com que indivíduos podem produzir vídeos e imagens fraudulentas tem levantado preocupações sobre a segurança digital e suas repercussões na sociedade.
Entre os benefícios da tecnologia estão: dificultar a criação de deepfakes, impedir que inteligência artificial seja utilizada para criar material de abuso infantil, ajudar na identificação de conteúdos manipulados e auxiliar investigações sobre crimes digitais. Campbell Wilson, professor associado e codiretor do AiLECS, ressalta que a barreira de entrada para a criação de conteúdos falsos é extremamente baixa, o que torna soluções como o Silverer essenciais.
Apesar de o Silverer ainda estar em fase de protótipo, a AFP observa um aumento alarmante no uso ilegal da inteligência artificial. A intenção é transformar essa ferramenta em um recurso acessível para todos que compartilham imagens online, elevando a proteção contra o uso malicioso da tecnologia. Rob Nelson, Comandante da AFP, confirmou que "não é uma solução definitiva, mas cria obstáculos" para criminosos.






