A Prefeitura de Salvador, por meio da Vigilância Sanitária (Visa), deu um passo importante para garantir a segurança alimentar no Carnaval de 2026. Nesta terça-feira (27), a agência reuniu cerca de 50 responsáveis técnicos dos camarotes que vão animar a folia na capital baiana. O encontro aconteceu na Escola de Saúde Pública, localizada no bairro do Comércio, em Salvador, na Bahia.
O objetivo principal da reunião foi orientar os participantes sobre as normas e exigências sanitárias para os serviços de alimentação oferecidos nos camarotes. Entre os temas abordados, estiveram: condições de pré-preparo e preparo dos alimentos, como guardar e conservar os produtos, prazos de validade, identificação correta dos itens, limpeza das cozinhas e áreas de serviço, higiene dos profissionais que manipulam comida e os critérios para servir bebidas alcoólicas.
Para a subcoordenadora de Alimentos, Processos Administrativos e Licenciamento Sanitário da Visa, Gilmara Macedo, a educação é a chave. Ela explicou que esses encontros são essenciais para que a Vigilância Sanitária possa tirar dúvidas e esclarecer o que é permitido ou proibido, evitando riscos à saúde durante a festa.
“O processo de educação em saúde é fundamental, pois é o momento em que a Vigilância Sanitária esclarece dúvidas sobre os riscos sanitários e sobre o que é permitido ou proibido durante o Carnaval”, afirmou Gilmara Macedo.
A percepção de que a Vigilância Sanitária é uma aliada, e não apenas um órgão de punição, tem crescido. A nutricionista Lorena Cavalcanti, com 15 anos de experiência em camarotes do Carnaval, ressaltou essa mudança de postura. Ela contou que a Visa é vista hoje como uma parceira que ajuda a garantir a segurança dos alimentos. Lorena, inclusive, levou a chefe de cozinha e outra nutricionista de sua equipe para participar da reunião, mostrando a importância da informação para todos.
“Hoje em dia, a Vigilância é vista mais como parceira do que como um órgão de punição. Temos percebido que o principal propósito do órgão é garantir a segurança do alimento que estamos fornecendo. Isso é muito importante, porque, enquanto nutricionistas, enfrentávamos dificuldades ao alertar que algo não era permitido, e algumas pessoas achavam que era capricho da nutrição. Mas não é: um pequeno detalhe pode garantir a segurança alimentar do espaço e evitar riscos mais sérios aos foliões”, explicou Lorena Cavalcanti.
“Trouxe outras pessoas que irão trabalhar comigo exatamente para desmistificar a visão antiga de que a Vigilância Sanitária é um bicho-papão. A Visa é um órgão que está junto conosco para que possamos produzir cada vez mais com qualidade e garantir a segurança de quem está consumindo”, acrescentou a nutricionista.
Marina Cézar, nutricionista e CEO de uma empresa de consultoria em segurança alimentar, acompanha essas reuniões há sete anos e reforça a importância delas para atualização. Ela destacou que, a cada ano, surgem novas demandas e informações, como a exigência da análise da água, que se tornou um padrão nos últimos anos. Para Marina, esses encontros são cruciais para alinhar a comunicação entre a Vigilância e os camarotes, garantindo que os foliões tenham acesso a alimentos seguros.
“Nos atualizamos sobre novidades e demandas durante as reuniões, então é muito importante para o alinhamento da comunicação entre a Vigilância e o nosso cliente, que é o camarote. Sempre há alguma mudança ou exigência nova, a exemplo da análise da água, que passou a ser feita nos últimos anos. Com isso, a Prefeitura contribui para a garantia da segurança alimentar de todos os foliões, que é o objetivo tanto dos nutricionistas quanto da Visa”, comentou Marina Cézar.
Ações de Capacitação Contínuas
Desde julho, a Vigilância Sanitária tem promovido diversas capacitações para diferentes setores envolvidos no Carnaval. Já foram orientados vendedores ambulantes, representantes da indústria de gelo, baianas de acarajé, vendedores de mingau e similares, além de comerciantes de bebidas em isopor. Na próxima terça-feira (3), será a vez de capacitar os responsáveis por food trucks, buscando sempre adequar esses profissionais às normas sanitárias vigentes.
Como será a fiscalização no Carnaval
Durante os dias de folia, a Vigilância Sanitária manterá equipes atentas nos três circuitos oficiais do Carnaval de Salvador: Dodô (Barra-Ondina), Osmar (Campo Grande) e Batatinha (Centro Histórico). As equipes serão formadas por um supervisor e outros profissionais, incluindo fiscais de controle sanitário, e contarão com estruturas de apoio para facilitar o trabalho.
A fiscalização não se limitará apenas aos camarotes. Serão monitorados diariamente outros locais importantes de distribuição de alimentos, como:
- Pontos de distribuição de alimentos para policiais militares;
- O espaço Nutrifolia, que oferece refeições para ambulantes;
- O Catafolia, que disponibiliza serviços e alimentação para catadores de materiais recicláveis que trabalham no evento.







