Um dos processos mais aguardados sobre o vício de jovens em redes sociais acaba de ter uma reviravolta importante em Los Angeles, nos Estados Unidos. O TikTok, uma das plataformas acusadas de causar danos à saúde mental de adolescentes, fechou um acordo e decidiu sair do julgamento antes mesmo dos debates começarem.
Essa decisão surpreendeu muitos, já que o caso é considerado um teste crucial para milhares de outras ações semelhantes em andamento. Agora, o processo continua contra a Meta, dona do Instagram, e o YouTube, que terão que enfrentar as acusações de que seus produtos foram feitos para prender a atenção dos jovens de forma compulsiva.
Jovem acusa plataformas de causar problemas sérios de saúde
A ação judicial foi movida por uma jovem de 20 anos, identificada apenas como K.G.M. Ela alega que as plataformas desenvolveram recursos e produtos com um único objetivo: viciar adolescentes. Segundo K.G.M., o tempo excessivo nas redes sociais durante a adolescência teria contribuído para uma série de problemas graves, como distorção da imagem corporal, pensamentos suicidas, ansiedade, dependência digital e depressão profunda.
Os advogados da jovem, do escritório Beasley Allen, confirmaram que o TikTok fez um acordo confidencial. Os detalhes sobre os termos desse acerto não foram divulgados. Antes do TikTok, a Snap, que controla o Snapchat, já havia se retirado do caso com um acordo semelhante.
Este julgamento é um marco. Ele pode definir o futuro de cerca de 3 mil processos na Califórnia e mais de 2 mil em outras esferas federais, todos acusando empresas de tecnologia de criar produtos que podem levar a transtornos alimentares, vício e até pensamentos de tirar a própria vida entre os mais novos.
Empresas se defendem e julgamento segue por semanas
As companhias de tecnologia, por sua vez, negam veementemente as acusações. Elas argumentam que os processos são enganosos e ressaltam que investiram bastante em medidas de segurança online ao longo dos anos. Mas, para quem move as ações, documentos internos das plataformas mostrariam que elas tinham conhecimento do potencial viciante de recursos como a “rolagem infinita”, aquela em que o conteúdo nunca acaba.
O julgamento está previsto para durar cerca de seis semanas, com depoimentos importantes esperados. Nomes como Mark Zuckerberg, presidente-executivo da Meta, e Adam Mosseri, chefe do Instagram, devem comparecer. Os jovens que entraram com as ações buscam indenizações por danos morais e também punitivos.
A sociedade tem olhado para as redes sociais com mais ceticismo. Uma pesquisa recente do Wall Street Journal mostrou que 71% dos entrevistados concordam com a proibição de plataformas como Instagram e TikTok para menores de 16 anos. Muitos comparam essa estratégia legal a casos históricos contra empresas de tabaco e farmacêuticas, que resultaram em acordos bilionários depois que foram acusadas de esconder riscos à saúde.
“Os autores das ações sustentam que documentos internos mostram que as plataformas sabiam do potencial viciante de recursos como a rolagem infinita.”
Com o TikTok fora do caminho, a atenção agora se volta totalmente para a Meta e o YouTube, que terão suas declarações iniciais apresentadas na próxima semana, dando continuidade a um julgamento que pode mudar a forma como as redes sociais são vistas e regulamentadas no futuro.







